sábado, 17 de janeiro de 2026
domingo, 11 de janeiro de 2026
Al berto | 11 janeiro 1948
E no centro da cidade, um grito.
Nele morrerei, escrevendo o que a vida me deixar. E sei que cada palavra escrita é um dardo envenenado, tem a dimensão de um túmulo, e todos os teus gestos são uma sinalização em direcção à morte - embora seja sempre absurdo morrer. Mas hoje, ainda longe daquele grito, sento-me na fímbria do mar.
Medito no meu regresso.
Possuo para sempre tudo o que perdi. E uma abelha pousa no azul do lírio, e no cardo que sobreviveu à geada. Penso em ti. Bebo, fumo, mantenho-me atento, absorto - aqui sentado, junto à janela fechada.
Ouço-te ciciar amo-te pela primeira vez, e na ténue luminosidade que se recolhe ao horizonte acaba o corpo.
Recolho o mel, guardo a alegria, e digo-te baixinho: Apaga as estrelas, vem dormir comigo no esplendor da noite do mundo que nos foge.
sábado, 10 de janeiro de 2026
quarta-feira, 7 de janeiro de 2026
sábado, 3 de janeiro de 2026
quinta-feira, 1 de janeiro de 2026
quarta-feira, 31 de dezembro de 2025
“Die Erdzeitalter (Idades do Mundo, 2014)” de Anselm Kiefer
- lembramos que a história não é uma linha reta, é uma geologia em camadas de sonhos, ruínas e tentativas de recomeçar. Estas tábuas e cinzas empilhadas parecem o arquivo das nossas ambições: civilizações a erguer-se, a colapsar, a deixar para trás vestígios que se tornam a base para a próxima ilusão de permanência. O trabalho parece especialmente ressonante agora: Equilíbrio nunca é um dado.






