Nas alturas mais complicadas da minha vida escrevo os melhores capítulos.

Não há passos perdidos.


quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

domingo, 25 de janeiro de 2026

 


 A Inegualável

Ai, como eu te queria toda de violetas E flébil de setim... Teus dedos longos, de marfim, Que os sombreassem joias pretas... E tão febril e delicada Que não podesses dar um passo - Sonhando estrelas, transtornada, Com estampas de côr no regaço... Queria-te nua e friorenta, Aconchegando-te em zibelinas - Sonolenta, Ruiva de éteres e morfinas... Ah! que as tuas nostalgias fôssem guisos de prata - Teus frenesis, lantejoulas; E os ócios em que estiolas, Luar que se desbarata... . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Teus beijos, queria-os de tule, Transparecendo carmim - Os teus espasmos, de sêda... - Água fria e clara numa noite azul, Água, devia ser o teu amor por mim... Mário de Sá-Carneiro

 "No hay necesidad de apresurarse. No hay necesidad de brillar. No es necesario ser nadie más que uno mismo". Virginia Woolf.

The Near Side


 


 

sábado, 24 de janeiro de 2026

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

sábado, 17 de janeiro de 2026

domingo, 11 de janeiro de 2026

 Al berto | 11 janeiro 1948


E no centro da cidade, um grito.


Nele morrerei, escrevendo o que a vida me deixar. E sei que cada palavra escrita é um dardo envenenado, tem a dimensão de um túmulo, e todos os teus gestos são uma sinalização em direcção à morte - embora seja sempre absurdo morrer. Mas hoje, ainda longe daquele grito, sento-me na fímbria do mar. 


Medito no meu regresso.


Possuo para sempre tudo o que perdi. E uma abelha pousa no azul do lírio, e no cardo que sobreviveu à geada. Penso em ti. Bebo, fumo, mantenho-me atento, absorto - aqui sentado, junto à janela fechada. 


Ouço-te ciciar amo-te pela primeira vez, e na ténue luminosidade que se recolhe ao horizonte acaba o corpo. 


Recolho o mel, guardo a alegria, e digo-te baixinho: Apaga as estrelas, vem dormir comigo no esplendor da noite do mundo que nos foge.

 https://www.instagram.com/poesiaetal_/reel/DTTjRNGATMK/