domingo, 15 de janeiro de 2012
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
Duas Propostas
. Começa hoje a ILUSTRARTE 2012 - V Bienal Internacional de Ilustração para a Infância
13 Jan - 8 Abr no Museu da Electricidade, de Ter - Dom, 10h -18h Entrada Livre
. Workshop de Imagem Pessoal- para quem precisa de mudar ou realçar a beleza que tem e não a sabe usar!
28 Jan - Sáb - 14.30h - 17h30 .Clinica Especialdente - R. D. Filipa de Lencatre,27 A
Custo - 40 € e possibilidade de preços ainda mais especiais....
Informações e Inscrições - http:// www.especialdente.com/ #!__bemestar/ vstc26=contacto
13 Jan - 8 Abr no Museu da Electricidade, de Ter - Dom, 10h -18h Entrada Livre
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Informações e Inscrições - http://
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
Fora do Tempo - Pedro Rolo Duarte
Tenho uma estranha tendência para ler os livros fora do momento em que é suposto serem lidos – ou seja, quando são lançados. Tenho livros à espera há quatro, cinco, dez anos. Alguns nunca vão ter vez – e espero que isso não os entristeça demais. Se lhes servir de consolo, tenho um filho que lê mais do que alguma vez eu li na vida, por isso provavelmente ele os encontrará mesmo que eu deles me desencontre para sempre.
Livros são como pessoas, e os desencontros podem sair caros. Mas justamente por serem como pessoas, livros estão sujeitos ao desencontro, à teoria do caos, ao acaso, à sincronicidade, conforme nos dê jeito. Ou seja verdade. Acredito que os acasos são propositados, o que quer que isto possa querer dizer...
Tudo isto para dizer que li agora, só agora, “Intimidade”, de Hanif Kureish, que comprei ou me ofereceram em 1998. O livro não teve culpa – estava arrumadinho no seu lugar, entre as obras cujos autores têm nomes que começam por “H”, e peguei nele ao acaso. Li assim: “as palavras são acções e podem fazer com que aconteçam coisas. Depois de ditas não se podem mais recuperar”.
Gostei da ideia e, ainda de pé, li algumas páginas mais. Fui sublinhando bocados, porque o livro é em si uma soma de aforismos: “O amor é um trabalho obscuro: temos que sujar as mãos. Se nos retraímos, nada de interessante acontece”.
Confesso, porém, que desta vez me entristeceu chegar agora a esta “Intimidade” – parece que chega fora de tempo, sinto que me fez falta há mais anos, noutra altura.
Não é a primeira vez que me acontece – mas gostava de partilhar esta ideia trágica do tempo a passar. Porque vivemos a guardar-nos para um tempo qualquer: o tempo em que vamos ter tempo para a casa de férias, o tempo em que vamos por fim fazer a viagem sonhada, o tempo em que vamos “por a leitura em dia”, frase típica de inquérito de jornal no Verão. O tempo parece que vem sempre a seguir.
Só que o tempo passa. E quando passa, passam com ele os tempos em que devíamos ler, por exemplo, algo assim: “Fazemos asneiras, somos desencaminhados, perdemo-nos. Se pudéssemos ver os nossos percursos retorcidos como uma espécie de experiência, sem desejar uma segurança impossível – nada de interessante acontece sem ousadia – talvez pudesse ser alcançada qualquer espécie de apaziguamento. Claro que podemos fazer experiências com a nossa própria vida. Mas talvez não o devêssemos fazer com a vida dos outros”.
Queria ter lido isto há uns anos. Teria sido útil. Li agora, e serve-me “de menos”. Mas a maior estupidez da juventude e dos anos pré-trinta é mesmo essa: a ilusão do “tempo para tudo”. O tempo que se pode gastar, ou usar, ou passar, ou “tipo viver”, como dizem os nossos filhos. Eles não sabem, mas...
... Esqueçam lá isso. Não vai haver. Vivam já. Aproveitem já. Gozem agora. Não usem a crise como pretexto para adiar, nem a miséria como desculpa para não arriscar.
Se eu tivesse lido “Intimidade” em 1998 (e agora que releio a crónica acho que li bocados, mas não todo...) presumo que a minha vida teria sido outra. Pode ser que, por ler agora, tenha pela frente uma belíssima estrada de algodão macio. Mas talvez devesse ter seguido a lógica das coisas. Ler livros quando são lançados. Cometer loucuras quando me podia desculpar com a idade. Arriscar quando parecia não haver amanhã.
Teria sido tudo mais fácil. E a palavra vergonha ganharia uma outra dimensão. Mais ajustada e própria. Como se quer, quando se quer ter a idade que se tem. É verdade: quando nos sentimos fora de tempo, estamos fora de tudo.
Livros são como pessoas, e os desencontros podem sair caros. Mas justamente por serem como pessoas, livros estão sujeitos ao desencontro, à teoria do caos, ao acaso, à sincronicidade, conforme nos dê jeito. Ou seja verdade. Acredito que os acasos são propositados, o que quer que isto possa querer dizer...
Tudo isto para dizer que li agora, só agora, “Intimidade”, de Hanif Kureish, que comprei ou me ofereceram em 1998. O livro não teve culpa – estava arrumadinho no seu lugar, entre as obras cujos autores têm nomes que começam por “H”, e peguei nele ao acaso. Li assim: “as palavras são acções e podem fazer com que aconteçam coisas. Depois de ditas não se podem mais recuperar”.
Gostei da ideia e, ainda de pé, li algumas páginas mais. Fui sublinhando bocados, porque o livro é em si uma soma de aforismos: “O amor é um trabalho obscuro: temos que sujar as mãos. Se nos retraímos, nada de interessante acontece”.
Confesso, porém, que desta vez me entristeceu chegar agora a esta “Intimidade” – parece que chega fora de tempo, sinto que me fez falta há mais anos, noutra altura.
Não é a primeira vez que me acontece – mas gostava de partilhar esta ideia trágica do tempo a passar. Porque vivemos a guardar-nos para um tempo qualquer: o tempo em que vamos ter tempo para a casa de férias, o tempo em que vamos por fim fazer a viagem sonhada, o tempo em que vamos “por a leitura em dia”, frase típica de inquérito de jornal no Verão. O tempo parece que vem sempre a seguir.
Só que o tempo passa. E quando passa, passam com ele os tempos em que devíamos ler, por exemplo, algo assim: “Fazemos asneiras, somos desencaminhados, perdemo-nos. Se pudéssemos ver os nossos percursos retorcidos como uma espécie de experiência, sem desejar uma segurança impossível – nada de interessante acontece sem ousadia – talvez pudesse ser alcançada qualquer espécie de apaziguamento. Claro que podemos fazer experiências com a nossa própria vida. Mas talvez não o devêssemos fazer com a vida dos outros”.
Queria ter lido isto há uns anos. Teria sido útil. Li agora, e serve-me “de menos”. Mas a maior estupidez da juventude e dos anos pré-trinta é mesmo essa: a ilusão do “tempo para tudo”. O tempo que se pode gastar, ou usar, ou passar, ou “tipo viver”, como dizem os nossos filhos. Eles não sabem, mas...
... Esqueçam lá isso. Não vai haver. Vivam já. Aproveitem já. Gozem agora. Não usem a crise como pretexto para adiar, nem a miséria como desculpa para não arriscar.
Se eu tivesse lido “Intimidade” em 1998 (e agora que releio a crónica acho que li bocados, mas não todo...) presumo que a minha vida teria sido outra. Pode ser que, por ler agora, tenha pela frente uma belíssima estrada de algodão macio. Mas talvez devesse ter seguido a lógica das coisas. Ler livros quando são lançados. Cometer loucuras quando me podia desculpar com a idade. Arriscar quando parecia não haver amanhã.
Teria sido tudo mais fácil. E a palavra vergonha ganharia uma outra dimensão. Mais ajustada e própria. Como se quer, quando se quer ter a idade que se tem. É verdade: quando nos sentimos fora de tempo, estamos fora de tudo.
Pedro Rolo Duarte
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
sábado, 24 de dezembro de 2011
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
Poema
O Amor está no que lançamos
O Amor está em quanto erguemos
E no que combatemos
Por verdadeiro amor.
O Amor está em quanto levantamos
Em quanto nós colhemos e semeamos
E nas ruínas de quanto derrubamos!
....
José Ángel Valente (1929)
O Amor está em quanto erguemos
E no que combatemos
Por verdadeiro amor.
O Amor está em quanto levantamos
Em quanto nós colhemos e semeamos
E nas ruínas de quanto derrubamos!
....
José Ángel Valente (1929)
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
José Gameiro
José
Gameiro
Psiquiatra português, José Manuel Gameiro nasceu a 3 de julho de 1949. Foi membro fundador da Sociedade Portuguesa de Terapia Familiar, em 1978, e fundador do Instituto de Terapia Familiar.
A Sociedade Portuguesa de Terapia Familiar surgiu pelo objetivo de divulgar o ensino e a prática de terapia familiar e de intervenção sistémica.
Doutorado em Psicologia e Saúde Mental pela Faculdade de Psicologia da Universidade do Porto, trabalha no Hospital Miguel Bombarda em Lisboa e ensina Psicologia da Família no Instituto Superior de Ciências da Saúde.
Publicou várias obras, com destaque para Quem Sai aos Seus (1994) em que faz uma abordagem sobre diversos temas tais como a escola e o funcionamento das famílias, dirigida a profissionais da área, mas também ao público em geral.
Publicou ainda Voando sobre a Psiquiatria (1992) e Os Meus, os Teus e os Nossos: Novas Formas de Família (1998) e Crónicas (1998), que é um conjunto de crónicas escritas em dois jornais - O Jornal e, mais recentemente, o Diário de Notícias.
Escreveu também dois livros em colaboração com Daniel Sampaio: Droga, Pais e Filhos (1978) e Terapia Familiar (1985).
Em 2007 publicou Entre Marido e Mulher... Terapia de Casal.
Acabou de lançar agora mais um livro - Até que o Amor nos Separe
O que ela pensa, o que ele nunca diz, as feridas dos
dois e aquilo que os une.
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