sábado, 9 de junho de 2012
quinta-feira, 7 de junho de 2012
quarta-feira, 6 de junho de 2012
terça-feira, 5 de junho de 2012
JOAQUIM PESSOA, in ANO COMUM (Litexa, 2011)
Dia 231.
... AMO-TE POR TODAS AS RAZÕES E MAIS UMA
Por todas as razões e mais uma. Esta é a resposta que costumo dar-te quando me perguntas por que razão te amo. Porque nunca existe apenas uma razão para amar alguém. Porque não pode haver nem há só uma razão para te amar.
Amo-te porque me fascinas e porque me libertas e porque fazes sentir-me bem. E porque me surpreendes e porque me sufocas e porque enches a minha alma de mar e o meu espírito de sol e o meu corpo de fadiga. E porque me confundes e porque me enfureces e porque me iluminas e porque me deslumbras.
Amo-te porque quero amar-te e porque tenho necessidade de te amar e porque amar-te é uma aventura. Amo-te porque sim mas também porque não e, quem sabe, porque talvez. E por todas as razões que sei e pelas que não sei e por aquelas que nunca virei a conhecer. E porque te conheço e porque me conheço. E porque te adivinho. Estas são todas as razões.
Mas há mais uma: porque não pode existir outra como tu.
Dia 231.
... AMO-TE POR TODAS AS RAZÕES E MAIS UMA
Por todas as razões e mais uma. Esta é a resposta que costumo dar-te quando me perguntas por que razão te amo. Porque nunca existe apenas uma razão para amar alguém. Porque não pode haver nem há só uma razão para te amar.
Amo-te porque me fascinas e porque me libertas e porque fazes sentir-me bem. E porque me surpreendes e porque me sufocas e porque enches a minha alma de mar e o meu espírito de sol e o meu corpo de fadiga. E porque me confundes e porque me enfureces e porque me iluminas e porque me deslumbras.
Amo-te porque quero amar-te e porque tenho necessidade de te amar e porque amar-te é uma aventura. Amo-te porque sim mas também porque não e, quem sabe, porque talvez. E por todas as razões que sei e pelas que não sei e por aquelas que nunca virei a conhecer. E porque te conheço e porque me conheço. E porque te adivinho. Estas são todas as razões.
Mas há mais uma: porque não pode existir outra como tu.
domingo, 3 de junho de 2012
sexta-feira, 1 de junho de 2012
Foi um AMOR que se lhes deu
by Vitor Belanciano
... Não tenho números, dados científicos, mas chega esta altura do ano e é vê-los a separarem-se. Casais, quero dizer. Pelo menos nos círculos por onde me movimento. Parece, assim a modos, que é uma coisa que se lhes dá. Até nas revistas de sociedade, que se alimentam todo o ano do frenético mercado das “separações” e, inevitavelmente, dos “novos parceiros”, a época é de grande abundância
Deve ser da lua, dizem uns. Certamente é do calor, avançam outros. Decididamente é porque "a invasão da dopamina que activa os centros de recompensa do cérebro e produz prazer" não está suficientemente estimulada, dirão os que gostam de observar o amor pelo ponto de vista da neurociência.
Mas o argumento mais demolidor é o da "química". Ou "há" ou "não há", alegam com convicção todos, e não se fala mais disso. A "química" é a justificação de tudo e nada. Na minha intuitiva visão é apenas a forma que tendemos a falar dos afectos quando não compreendemos minimamente os afectos.
Vivemos num tempo onde nunca existiu tanta liberdade de escolha de parceiros e a variedade de modelos de relacionamento parece infinito, mas olho em redor e só vislumbro gente desassossegada, insatisfeita, pronta para terminar relações. Nem a malfadada crise económica parece arrefecer os espíritos.
Talvez seja, como diz o conhecido sociólogo polaco Zygmunt Bauman, reflexo de vivermos num mundo cada vez mais desordenado, no qual o amor também passou a ser experienciado de uma maneira mais fragmentada e insegura, de "química" em "química" à procura da combustão ideal, que nunca chegará, inevitavelmente.
Em vez da maratona, que qualquer relação profunda, amadurecida e leal acaba por ser, com harmonia mas também momentos de inevitável conflito, com fases de efervescência mas também de natural acalmia, tantas vezes confundida com monotonia, opta-se cada vez mais por sucessivas corridas de 100 metros, sempre em busca de "recomeçar do zero".
Se uma relação não cumpre o ideal de alguém, já se sabe, regressa-se ao "mercado das relações" e troca-se por alguém menos chato. Ou então, entra-se em novos relacionamentos sem nunca fechar verdadeiramente as portas para outros que se possam insinuar como mais "interessantes" no futuro próximo.
É por isso que estamos inundados de "amizades coloridas" ou de "novos amigos que na semana passada eram namorados", numa profusão de relações sem grande compromisso, nem densidade, que podem ser facilmente suspensas.
Quanto mais fácil se torna terminar relacionamentos, menos motivação existe para negociar ou vencer as dificuldades que qualquer relação sofre.
O que é estranho é que isto acontece com gerações em que o "conhecimento de si próprio" se tornou num valor irrevogável. Mas também numa verdadeira indústria, onde o "conhecimento interior" é praticado à superfície, sem chatices, sem conflito, sem se escarafunchar na merda.
É como aquelas pessoas que compram um gato, porque é muito "fofinho", sem entenderem que todos os dias terão de limpar o cocó do dito.
As relações verdadeiramente intensas exigem constância, conhecimento dos avanços e não temer ocasionais retrocessos. Pertenço a uma geração de gente bem formada, em muitos domínios, capaz de recitar, de um só fôlego, os dez cantos, as 1102 estrofes que são oitavas decassílabas, sujeitas ao esquema rítmico fixo AB AB AB CC, de “Os Lusíadas” de Camões.
Mas quando se trata de pensar os afectos estamos ainda na infância. Deve ser da famosa “química”.
Público 29-6-2011
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