Nas alturas mais complicadas da minha vida escrevo os melhores capítulos.

Não há passos perdidos.


sexta-feira, 9 de junho de 2017

sábado, 3 de junho de 2017

Excepção à norma minimalista.
Podia ser um grito, mas vivemos tempos de surdos...
Citoyens d'un pays libre, cidadãos sensatos do resto do planeta, a França que me merece loas – e bem podia servir de modelo para edificar uma utopia europeia – é a que tem permitido que ali se encontrem os talentos das guitarras do cigano Django Reinhardt e do filho de italianos George Brassens, a escrita da vietnamita Marguerite Duras e a do polaco Milan Kundera, os pensamentos do negro caribenho Frantz Fanon e os do branco argelino Albert Camus, as telas assinadas pelo espanhol Pablo Picasso e pela portuguesa Vieira da Silva, o cinema da belga Agnès Varda e o teatro da descendente de russos Ariane Mnouchkine, a voz do “arménio” Charles Aznavour e a da italiana Carla Bruni, a arte da fotografia do húngaro Brassaï e a do judeu Willy Ronis, as canções do monegasco Leo Ferré e as do transalpino Serge Reggiani, as composições musicais do russo Igor Stravinsky e a produção cinematográfica do georgiano Otar Iosseliani, o desfile nas telas da alemã Simone Signoret e da libanesa Delphine Seyrig, a ciência da dupla Nobel polaca Marie Curie e a arquitectura moderna do helvético Le Corubusier – o esplendor da francofonia, que só tem paralelo nessas três palavras, vindas de Setecentos e pelas quais vale a pena lutar até à Eternidade: “Liberté, Égalité, Fraternité.”
Ignorar que tudo isto está em risco é suicídio, uma cobarde cedência perante a barbárie!
Apenas.
Fernando Madaíl
Foto de La literatura es vida.

James - She's A Star (Live @Manchester)

quarta-feira, 3 de maio de 2017

“No rest
without love,
No sleep
without dreams
of love -
be mad or chill
obsessed with angels
or machines
the final wish
is love.”
~Allen Ginsberg

Yann Tiersen - Naval (tabarly)

sábado, 29 de abril de 2017

Nunca Cultives o Absoluto nem o Excesso

Nunca cultives coisas absolutas, como a castidade absoluta ou a sobriedade absoluta: a maior força de vontade é a do homem que gosta de beber e se abstém de beber muito e não a daquele que não bebe de todo. O movimento antialcoólico é um dos maiores inimigos da vontade própria e do desenvolvimento da vontade. Castrar um homem «controlará» certamente os seus impulsos sexuais. Castrar a sua alma também fará o mesmo. A dificuldade é abster.se.
Deves criar um desejo de beber e de fumar e então fumar e beber moderadamente. Graças a este método, não só desenvolverás a tua vontade decisivamente, obrigando-a a impor limites aos teus impulsos, que é a função própria da vontade (e não a eliminação dos impulsos), mas também extrairás o maior prazer possível de beber ou de fumar, pois a Natureza concebeu as coisas de um modo tal que o maior prazer vem depois do maior poder, a temperança, e o sinal da normalidade é este.
Fernando Pessoa, in 'Reflexões Pessoais'

terça-feira, 25 de abril de 2017

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Muda de lugar.
Muda a pele do teu verbo que te diz.
Vai com o vento, dança.
As tuas mãos cheias de sol ainda respiram e sonham a construção de um nome. Das palavras reterás apenas peixes e luas, peixes-luas lentos na órbita previsível dos teus olhos.
A poesia e a ciência utilizam o único método: observar, observar, observar....
E foi então que entendi o ponto de fuga de todas as obras.
Era preciso ir para um outro longe
ou um enquanto perto para regressar depois
e de novo observar, observar, até em ti existir a nula fronteira e numa só palavra caber tudo,
todo o amor,
toda a vida e seres tu,
a Ítaca que tanto procuraste.
C. Pires

domingo, 2 de abril de 2017

Há coisas que não são ditas aos homens.
Sobre o desconhecido e o invisível.
Sobre o que está além do véu...
Sobre o que viaja dentro da alma.
Nas asas do coração que viaja, bem além......
Há coisas que os homens não sabem.
Muitas delas, dentro deles mesmos.
Outras, no infinito...
Há coisas que os homens não se lembram.
Coisa do espírito... Vôos secretos.
Reminiscências de sua própria eternidade.
Ecos de muitas vidas e canções de outrora.
Coisas de dentro deles mesmos.
Coisas que eles fingem não sentir.
Ventos secretos que sopram no invisível...
Sim, há muitas coisas que não são ditas aos homens.
Viagens espirituais e danças com as estrelas e devas.
Coisas do infinito, que só o espírito conhece.
E só o coração compreende..
No espaço entre os pensamentos e os sentimentos, o infinito fala no silêncio.
E o que é dito na câmara secreta do coração, ouvidos profanos não podem ouvir.
Quem, em seu coração, compreende isso, compreende o que as palavras não dizem.
Isso não se explica, só se sente...
W.Borges

domingo, 19 de março de 2017

PAI
difícil quase
a dormir
oiço meter...
a chave à porta
Empurrá-la. Fechar
docemente.
Entrar no quarto
às escuras.
Abeirar-se. Beijar-me
o sono.
A barba
pica.
Serenamente enfim a casa dorme.

MÁRIO CASTRIM, in MOEDA DO SOL

sábado, 18 de março de 2017

domingo, 12 de março de 2017

"...sólo el olor y el sabor –más débiles pero más vivaces, más inmateriales, más persistentes, más fieles– perduran durante mucho tiempo aún, como almas, recordando, aguardando, esperanzados, sobre las ruinas de todo lo demás, portando sin flaquear sobre su gotita casi impalpable el inmenso edificio del recuerdo" - Marcel Proust
Foto de BUSCANDO EL CUADRO MAS BELLO DEL MUNDO.

Bob Dylan - Stardust (Audio)