Nas alturas mais complicadas da minha vida escrevo os melhores capítulos.

Não há passos perdidos.


quarta-feira, 21 de março de 2018

Mohammad Mohiedine Anis, 70, smokes his pipe as he sits in his destroyed bedroom listening to music on his vinyl player in Aleppo's formerly rebel-held al-Shaar neighbourhood on March 9, 2017. / AFP PHOTO / JOSEPH EIDJOSEPH EID/AFP/Getty Images

A arte será sempre refúgio e salvação

segunda-feira, 19 de março de 2018

Foto de Lília Tavares.
Exercícios de preparação para a solidão
Perceber que já se perdeu tudo o que um dia mais se amou,
fazer ordinariamente horas extraordinárias,
ir a diário ao ginásio, esgotar o corpo,
andar frequentemente de bicicleta,
regressar a casa pelo caminho mais longo,
prestar atenção ao que acontece dentro da copa das árvores,
não ter animais de estimação, nem mesmo plantas,
ter coragem para não recolher um cão abandonado,
nas tardes de sol mais difíceis visitar jardins, dar milho aos pombos,
ser amante de livros, de música e de cinema,
guardar numa caixa as fotografias de infância,
dançar pela casa, a vontade não precisa de par,
evitar pensar no sentido da vida,
ter um não sei quê de ave migratória,
manter a casa limpa, mudar os lençóis, fazer a cama,
ter em casa chá, chocolate e livros de poesia,
peças de fruta, álcool e cigarros nenhuns,
ter cola, tesoura, agulha, linha, pregos, o necessário para pequenas reparações,
cozinhar em pequenas quantidades,
investir numa chaleira, numa botija para água quente, num congelador,
viajar para países distantes sem companhia,
não ter medo da chuva nem do choro,
não ligar a televisão só para ter luz no escuro.

©rsm
The Unbearable Lightness of Being

segunda-feira, 12 de março de 2018

sábado, 10 de março de 2018

Though lovers be lost love shall not;
And death shall have no dominion.
Despite knowing the journey...and where it leads...I embrace it... and I welcome every moment of it. 
You know i've had my head tilted up to the stars for as long as I can remember. You know what surprised me the most? It wasn't meeting them. It was meeting you.

Max Richter - On the Nature of Daylight

domingo, 18 de fevereiro de 2018

sábado, 10 de fevereiro de 2018

Ninguém sabe o que fica depois do amor. Cada um tem os seus itinerários de paixão, que observou enquanto o rio transbordava as margens. Depois do amor há um horizonte sem princípio e sem fim: tudo pode ser o que já foi ou nunca aconteceu. Na incerteza, os deuses perguntam e os homens escutam. O Oráculo tem sempre muitas dúvidas, a verdade é que Apolo é belo e fala pouco. A sua discrição é uma vantagem quando precisa de ostentar o corpo para silenciar os invasores.
Recentemente, dois amigos divorciaram-se. Ele disse-lhe que a chama perdeu a luz do passado. Ela respondeu-lhe que a luz do passado nunca existiu. Entre as sombras e as frestas da janela, alguma coisa perdeu o brilho que justificasse a mudez e a indiferença. Às vezes, não se sabe como as coisas começam, descobre-se que o tempo acumulou os pequenos gestos, as desatenções, a insensibilidade, a falta de jeito, a incompetência emocional e, principalmente, uma tendência para um consumismo sem sedução. Quem gasta o que encontra no outro e não semeia, acaba num areal onde redescobre a sua solidão e o tempo perdido. O passado em comum é muitas vezes um tempo sem futuro, onde o presente foi uma chatice. Quando se descobre já é tarde, já os dias são curtos e as noites longas. Quando a sombra do outro é uma espécie estranha na orla dos sentidos, o caso é sério.
Os dois amigos que se divorciaram não perceberam que o “tempo gastou a novidade”, a mesma novidade que eles inventaram para sobreviver à solidão. Passados muitos anos, olharam-se na frieza de uma distância que já foi próxima, disseram coisas cujo sentido se perdeu na semântica, reivindicaram exclusivos e apoucaram-se. O sentido do amor foi ter perdido o amor, e não recuperarem os diferentes sentidos do amor na vida de cada um. Talvez, agora, seja possível descobrirem os cheiros de alfazema e alecrim.
O que gasta o amor é a incapacidade dos amantes namorarem quando formalizam a esperança. A ocupação do espaço de cada um é uma violação da sua criatividade, uma cúmplice invasão sem remissão. Por isso, os meus amigos desencontraram-se no convívio da partilha, foram egoístas e decidiram correr sozinhos um jogo de consequências imprevisíveis. Agora delegam nos juízes a decisão das suas próprias vidas.
Há pouca diferença entre os que visitam o Oráculo e os que pedem justiça pelas incompreensões de uma vida pouco comum. Deviam ter tido coragem de despir a roupa velha e procurarem o encanto perdido, o encanto que cada um foi amarfanhando, até que se aperceberam quanto era impossível disfarçar a distância e a indiferença. Agora, sabe-se que a história tem outras histórias, que ocultam outras estórias, que ainda guardam uma vida onde o inverosímil tenta convencer os tribunais.
O que fica depois do amor? Não sei o que fica, talvez uma cratera à espera de um encontro que alimente o sonho, que refaça o incrível das pequenas coisas. Quando se perde o culto de procurar, instala-se o desespero e as perguntas improváveis. Já disse aos meus amigos que as suas histórias de vida ajudam a explicar tantos divórcios, que a “culpa” é uma estranha criatura que teima em estar perto de cada um, para alimentar os argumentos e os arremessos. Na opacidade, o amor é um jogo com regras invulgares, mas a paixão é, com toda a certeza, a mais estranha das disponibilidades e a mais autêntica expressão de uma viagem a dois.
O que fica depois do amor? Fica a vida, a esperança e a eternidade. Com sorte, outros amigos de outros amigos cruzar-se-ão. E, assim, o que fica depois, é uma viagem onde cada um pode reencontrar a metade que outros não souberam gastar.
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© António Vilhena

domingo, 4 de fevereiro de 2018

Beirut - Cheap Magic Inside - A Sunday Smile

de repente pára tudo

O Sorriso - Eugénio de Andrade



Creio que foi o sorriso, 
o sorriso foi quem abriu a porta.
Era um sorriso com muita luz
lá dentro, apetecia
entrar nele, tirar a roupa, ficar
nu dentro daquele sorriso.
Correr, navegar, morrer naquele sorriso.
                 


quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Beirut - Elephant Gun (VIDEO)

“Se tivesse de resumir o essencial dos meus objetivos de vida, acho que à cabeça poria o conhecimento.”
António Barreto 



segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

domingo, 14 de janeiro de 2018

Foto de Rita Garro.
“ Só aqueles que intentam o absurdo alcançam o impossível.”
M.C. Escher

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018



Dizem haver amores para lá dos sentires contidos pelo tempo. Momentos perfeitos de toques de riso, pequenos sabores, ou, também muito pequenas nuvens. Ainda, infinita, a tortura. Como poeira cósmica, as etimologias são coincidentes. E assim, é tão possível ter nas mãos o pesadelo como o paraíso. Tal é o peso da metamorfose.
Aldo Mathias, 1939.

sábado, 30 de dezembro de 2017

domingo, 17 de dezembro de 2017

"Memória, a mais subtil de todas as matérias e, no entanto, a única que verdadeiramente existe”
- Pedro Paixão