Nas alturas mais complicadas da minha vida escrevo os melhores capítulos.

Não há passos perdidos.


quinta-feira, 9 de agosto de 2018

      o caminho é quando descobres a companhia

domingo, 29 de julho de 2018

domingo, 8 de julho de 2018

Um ano antes de sua morte, Franz Kafka viveu uma experiência muito rara. Passeando pelo parque steglitz, em Berlim, encontrou uma menina chorando enlutada: tinha perdido a sua boneca.
Kafka se ofereceu para ajudar a procurar a boneca e se dispôs a se reunir com ela no dia seguinte no mesmo lugar.
Incapaz de encontrar a boneca compôs uma carta "escrita" pela boneca e leu-a quando se reencontraram:
- " por favor não me chore, eu já saí de viagem para ver o mundo. Vou te escrever sobre as minhas aventuras..."
Este foi o começo de muitas cartas.
Quando ele e a menina se reuniam, ele lia-lhe estas cartas cuidadosamente compostas de aventuras imaginárias sobre a querida boneca. A menina foi confortada. Quando as reuniões chegaram ao fim, Kafka deu-lhe uma boneca. Ela obviamente se via diferente da boneca original. Uma carta anexa explicou:
-"as minhas viagens me mudaram..."
Muitos anos mais tarde, a garota agora crescida, encontrou uma carta metida em uma fenda despercebida dentro da boneca. Resumindo, dizia: -"cada coisa que você ama, é bem provável que você a perca, mas no final, o amor voltará de uma forma diferente".
Kafka e a boneca... a omnipresença da perda.

sábado, 23 de junho de 2018

Peter Sandberg - Dismantle (Live)

HERBERTO HELDER, in “Os Passos em Volta”

O QUARTO (Excerto)

“ […] O barulho do mar e do vento.
A montanha, a ideia da montanha impraticável.

E depois a terra arenosa por ali fora. E a solidão.
E sentir sobretudo que já não pode haver medo.
Fecho as portas da casa, a porta de saída e as portas dos quartos entre si.
E fico no quarto sem soalho e deito-me no chão.

Ouço o mar e o vento à frente e atrás da montanha solitária e poderosa.

Depois encosto a cara à terra profundíssima
para escutar o seu húmido sussurro
atravessando-a toda e passando por mim.

E então poderei morrer.”

quarta-feira, 20 de junho de 2018

domingo, 10 de junho de 2018

The older you get the stronger the wind gets - and it's always in your face.


sábado, 9 de junho de 2018

foi a teu lado que me deitei pela
primeira vez num prado, lembras-te?
foi a teu lado que olhei por várias
vezes o céu enorme e estrelado e me
senti acompanhado.
foi a teu lado que chorei e ri, e quando
me perdi me mandaste tomar um duche
de água fria (por causa da Natureza...)
foi a teu lado que parti vidros e
gritei e depois adormeci sem saber como, encantado.
foi a teu lado, ao teu lado, em teu lado
que cresci e aprendi também a ser assim,
- pirilampo -
aquele que pelo escuro se vai iluminando.
 p.p.



quinta-feira, 7 de junho de 2018

domingo, 3 de junho de 2018

A noite passada - Sérgio Godinho

Foto de Patricia Abella Martin.
“And I, infinitesima­l being,
drunk with the great starry
void,
likeness, image of
mystery,
I felt myself a pure part
of the abyss,
I wheeled with the stars,
my heart broke loose on the wind.”
― Pablo Neruda, 100 Love Sonnets

sábado, 2 de junho de 2018

quarta-feira, 30 de maio de 2018

terça-feira, 22 de maio de 2018

Pomar

Hoje morreu o Júlio,

fico a pensar que na verdade nunca se morre sendo artista,

mas morreram as tardes em Tavira na casa das artes
alucinadas entre esperas de iluminados.

Será que o branco quente daqueles dias
te trazem memórias de mim?
Ver a imagem de origem

quarta-feira, 25 de abril de 2018

Ouvi a tuas palavras,
alinhadas como pássaros num fio eléctrico,
não cantavam como pássaros, assobiavam como balas.
Ouviste o meu coração partir-se?
Partiu-se como se parte qualquer objecto doméstico e quotidiano,
no lava-loiça uma chávena, um copo, um prato.
É difícil sair inteiro de uma história de amor.
É difícil encontrar um serviço de chá em uso,
uma chávena, um açucareiro, um bule, sem uma asa partida.
©rsm

sábado, 14 de abril de 2018

Foto de José Silva.
Joan Margarit,
«Misteriosamente Feliz»