sunshine mixed with a little hurricane.
Alma Grande e Pé ligeiro,
-Minha querida, fiquei feliz por te conhecer. És bela e dona de uma alma grande.
Eu: Alma grande?
Querida, “alma grande”, ma-atma em sânscrito, é uma expressão usada pelos hindus e pelos budistas para designar uma pessoa cuja alma é maior do que o seu próprio mundo. Não é fácil de definir, é mais fácil de reconhecer quem a tem. O que é normal é uma pessoa cuidar do seu mundo e tentar pôr o que está fora dele ao seu serviço. A alma grande voa pelo mundo infinito e o seu mundo é um reflexo de um mundo maior. Ter uma alma grande é ter em si uma parte divina, o que apenas quer dizer que anseia não por coisas do mundo, mas sim pelo que o transcende: a beleza e a bondade. Ela não odeia o mundo, respeita-o, mas sabe, que o seu sentido não se encontra nele, mas fora dele. Foi isto que senti quando te vi. Ter uma alma grande é muitas vezes um inconveniente, como tudo o que é um privilégio. É, a maior das responsabilidades. Sê quem és, é o destino de quem procura o divino em si.
Excepção à norma minimalista. Podia ser um grito, mas vivemos tempos de surdos... Citoyens d'un pays libre, cidadãos sensatos do resto do planeta, a França que me merece loas – e bem podia servir de modelo para edificar uma utopia europeia – é a que tem permitido que ali se encontrem os talentos das guitarras do cigano Django Reinhardt e do filho de italianos George Brassens, a escrita da vietnamita Marguerite Duras e a do polaco Milan Kundera, os pensamentos do negro caribenho Frantz Fanon e os do branco argelino Albert Camus, as telas assinadas pelo espanhol Pablo Picasso e pela portuguesa Vieira da Silva, o cinema da belga Agnès Varda e o teatro da descendente de russos Ariane Mnouchkine, a voz do “arménio” Charles Aznavour e a da italiana Carla Bruni, a arte da fotografia do húngaro Brassaï e a do judeu Willy Ronis, as canções do monegasco Leo Ferré e as do transalpino Serge Reggiani, as composições musicais do russo Igor Stravinsky e a produção cinematográfica do georgiano Otar Iosseliani, o desfile nas telas da alemã Simone Signoret e da libanesa Delphine Seyrig, a ciência da dupla Nobel polaca Marie Curie e a arquitectura moderna do helvético Le Corubusier – o esplendor da francofonia, que só tem paralelo nessas três palavras, vindas de Setecentos e pelas quais vale a pena lutar até à Eternidade: “Liberté, Égalité, Fraternité.” Ignorar que tudo isto está em risco é suicídio, uma cobarde cedência perante a barbárie! Apenas.