sexta-feira, 31 de agosto de 2018
terça-feira, 21 de agosto de 2018
quinta-feira, 9 de agosto de 2018
terça-feira, 31 de julho de 2018
domingo, 29 de julho de 2018
domingo, 8 de julho de 2018
Um ano antes de sua morte, Franz Kafka viveu uma experiência muito rara. Passeando pelo parque steglitz, em Berlim, encontrou uma menina chorando enlutada: tinha perdido a sua boneca.
Kafka se ofereceu para ajudar a procurar a boneca e se dispôs a se reunir com ela no dia seguinte no mesmo lugar.
Incapaz de encontrar a boneca compôs uma carta "escrita" pela boneca e leu-a quando se reencontraram:
Kafka se ofereceu para ajudar a procurar a boneca e se dispôs a se reunir com ela no dia seguinte no mesmo lugar.
Incapaz de encontrar a boneca compôs uma carta "escrita" pela boneca e leu-a quando se reencontraram:
- " por favor não me chore, eu já saí de viagem para ver o mundo. Vou te escrever sobre as minhas aventuras..."
Este foi o começo de muitas cartas.
Quando ele e a menina se reuniam, ele lia-lhe estas cartas cuidadosamente compostas de aventuras imaginárias sobre a querida boneca. A menina foi confortada. Quando as reuniões chegaram ao fim, Kafka deu-lhe uma boneca. Ela obviamente se via diferente da boneca original. Uma carta anexa explicou:
-"as minhas viagens me mudaram..."
Quando ele e a menina se reuniam, ele lia-lhe estas cartas cuidadosamente compostas de aventuras imaginárias sobre a querida boneca. A menina foi confortada. Quando as reuniões chegaram ao fim, Kafka deu-lhe uma boneca. Ela obviamente se via diferente da boneca original. Uma carta anexa explicou:
-"as minhas viagens me mudaram..."
Muitos anos mais tarde, a garota agora crescida, encontrou uma carta metida em uma fenda despercebida dentro da boneca. Resumindo, dizia: -"cada coisa que você ama, é bem provável que você a perca, mas no final, o amor voltará de uma forma diferente".
Kafka e a boneca... a omnipresença da perda.
sábado, 23 de junho de 2018
HERBERTO HELDER, in “Os Passos em Volta”
O QUARTO (Excerto)
“ […] O barulho do mar e do vento.
A montanha, a ideia da montanha impraticável.
E depois a terra arenosa por ali fora. E a solidão.
E sentir sobretudo que já não pode haver medo.
Fecho as portas da casa, a porta de saída e as portas dos quartos entre si.
E fico no quarto sem soalho e deito-me no chão.
Ouço o mar e o vento à frente e atrás da montanha solitária e poderosa.
Depois encosto a cara à terra profundíssima
para escutar o seu húmido sussurro
atravessando-a toda e passando por mim.
E então poderei morrer.”
O QUARTO (Excerto)
“ […] O barulho do mar e do vento.
A montanha, a ideia da montanha impraticável.
E depois a terra arenosa por ali fora. E a solidão.
E sentir sobretudo que já não pode haver medo.
Fecho as portas da casa, a porta de saída e as portas dos quartos entre si.
E fico no quarto sem soalho e deito-me no chão.
Ouço o mar e o vento à frente e atrás da montanha solitária e poderosa.
Depois encosto a cara à terra profundíssima
para escutar o seu húmido sussurro
atravessando-a toda e passando por mim.
E então poderei morrer.”
quarta-feira, 20 de junho de 2018
sábado, 9 de junho de 2018
foi a teu lado que me deitei pela
primeira vez num prado, lembras-te?
foi a teu lado que olhei por várias
vezes o céu enorme e estrelado e me
senti acompanhado.
foi a teu lado que chorei e ri, e quando
me perdi me mandaste tomar um duche
de água fria (por causa da Natureza...)
foi a teu lado que parti vidros e
gritei e depois adormeci sem saber como, encantado.
foi a teu lado, ao teu lado, em teu lado
que cresci e aprendi também a ser assim,
- pirilampo -
primeira vez num prado, lembras-te?
foi a teu lado que olhei por várias
vezes o céu enorme e estrelado e me
senti acompanhado.
foi a teu lado que chorei e ri, e quando
me perdi me mandaste tomar um duche
de água fria (por causa da Natureza...)
foi a teu lado que parti vidros e
gritei e depois adormeci sem saber como, encantado.
foi a teu lado, ao teu lado, em teu lado
que cresci e aprendi também a ser assim,
- pirilampo -
quinta-feira, 7 de junho de 2018
domingo, 3 de junho de 2018
sábado, 2 de junho de 2018
quarta-feira, 30 de maio de 2018
terça-feira, 22 de maio de 2018
Pomar
Hoje morreu o Júlio,
fico a pensar que na verdade nunca se morre sendo artista,
mas morreram as tardes em Tavira na casa das artes
alucinadas entre esperas de iluminados.
Será que o branco quente daqueles dias
te trazem memórias de mim?

fico a pensar que na verdade nunca se morre sendo artista,
mas morreram as tardes em Tavira na casa das artes
alucinadas entre esperas de iluminados.
Será que o branco quente daqueles dias
te trazem memórias de mim?
sexta-feira, 27 de abril de 2018
quarta-feira, 25 de abril de 2018
Ouvi a tuas palavras,
alinhadas como pássaros num fio eléctrico,
não cantavam como pássaros, assobiavam como balas.
Ouviste o meu coração partir-se?
Partiu-se como se parte qualquer objecto doméstico e quotidiano,
no lava-loiça uma chávena, um copo, um prato.
É difícil sair inteiro de uma história de amor.
É difícil encontrar um serviço de chá em uso,
uma chávena, um açucareiro, um bule, sem uma asa partida.
alinhadas como pássaros num fio eléctrico,
não cantavam como pássaros, assobiavam como balas.
Ouviste o meu coração partir-se?
Partiu-se como se parte qualquer objecto doméstico e quotidiano,
no lava-loiça uma chávena, um copo, um prato.
É difícil sair inteiro de uma história de amor.
É difícil encontrar um serviço de chá em uso,
uma chávena, um açucareiro, um bule, sem uma asa partida.
©rsm
sábado, 14 de abril de 2018
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