quinta-feira, 24 de janeiro de 2019
quinta-feira, 17 de janeiro de 2019
terça-feira, 1 de janeiro de 2019
sábado, 24 de novembro de 2018
quinta-feira, 15 de novembro de 2018
terça-feira, 13 de novembro de 2018
"… acho esse relógio cansado como já o foi, em tempos muito distantes, o meu coração de mecânica experimental; o que tu não chegas, espanta-me!… as flores devem estar já demasiado abertas, demasiado amarelo o chá para o marfim das minhas raízes dentais … a espera é um matrimónio muito rigoroso, muito silencioso e às vezes um pouco violento: nessas alturas embrulho-me numa manta e não presto atenção à tua ausência; vou pôr mais chá a fazer… também faço biscoitos de limão em forma de corações miudinhos, embora eu não goste de coisas que os olhos não vêm sem grandeza… mas o que é o gostar quando se tem as veias endurecidas pelos pós fabricados no laboratório velho das farmácias viciosas …?; às vezes penso em como será estar aborrecida contigo e nesse instante acho-me vulgar, como vulgar seria abrir uma manta e agasalhar-te em mim e chamar-te meia: minha-meia e beijar-te…; andas por aí fora, sem a guarda dos meus dedos resistentes às chuvas e aos relâmpagos; quando chegares, num pires coloco os biscoitos em forma de corações minúsculos e num outro, uns sons que colhi por estas manhãs para que te recordes do mundo de onde viemos, talvez antes do fim de pompeia…; quando eu morrer e doar o meu corpo em pedaços para que os poetas o comam à mão, tudo lhes há-de saber a antes: sem os vestígios dos sanatórios: lavei-os todos com baba e soda à saída das salas esverdeadas dos escarratórios que tu nunca hás-de cheirar…quanta música queres de verdade no pires raso da minha morte…?... mas eu espero…e só agora é que a chaleira começou a cantar algo que me parece ser em grego…"
Luisa Monteiro
domingo, 28 de outubro de 2018
sábado, 6 de outubro de 2018
sexta-feira, 5 de outubro de 2018
sexta-feira, 31 de agosto de 2018
terça-feira, 21 de agosto de 2018
quinta-feira, 9 de agosto de 2018
terça-feira, 31 de julho de 2018
domingo, 29 de julho de 2018
domingo, 8 de julho de 2018
Um ano antes de sua morte, Franz Kafka viveu uma experiência muito rara. Passeando pelo parque steglitz, em Berlim, encontrou uma menina chorando enlutada: tinha perdido a sua boneca.
Kafka se ofereceu para ajudar a procurar a boneca e se dispôs a se reunir com ela no dia seguinte no mesmo lugar.
Incapaz de encontrar a boneca compôs uma carta "escrita" pela boneca e leu-a quando se reencontraram:
Kafka se ofereceu para ajudar a procurar a boneca e se dispôs a se reunir com ela no dia seguinte no mesmo lugar.
Incapaz de encontrar a boneca compôs uma carta "escrita" pela boneca e leu-a quando se reencontraram:
- " por favor não me chore, eu já saí de viagem para ver o mundo. Vou te escrever sobre as minhas aventuras..."
Este foi o começo de muitas cartas.
Quando ele e a menina se reuniam, ele lia-lhe estas cartas cuidadosamente compostas de aventuras imaginárias sobre a querida boneca. A menina foi confortada. Quando as reuniões chegaram ao fim, Kafka deu-lhe uma boneca. Ela obviamente se via diferente da boneca original. Uma carta anexa explicou:
-"as minhas viagens me mudaram..."
Quando ele e a menina se reuniam, ele lia-lhe estas cartas cuidadosamente compostas de aventuras imaginárias sobre a querida boneca. A menina foi confortada. Quando as reuniões chegaram ao fim, Kafka deu-lhe uma boneca. Ela obviamente se via diferente da boneca original. Uma carta anexa explicou:
-"as minhas viagens me mudaram..."
Muitos anos mais tarde, a garota agora crescida, encontrou uma carta metida em uma fenda despercebida dentro da boneca. Resumindo, dizia: -"cada coisa que você ama, é bem provável que você a perca, mas no final, o amor voltará de uma forma diferente".
Kafka e a boneca... a omnipresença da perda.
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