Nas alturas mais complicadas da minha vida escrevo os melhores capítulos.

Não há passos perdidos.


domingo, 25 de janeiro de 2026

 A Inegualável

Ai, como eu te queria toda de violetas E flébil de setim... Teus dedos longos, de marfim, Que os sombreassem joias pretas... E tão febril e delicada Que não podesses dar um passo - Sonhando estrelas, transtornada, Com estampas de côr no regaço... Queria-te nua e friorenta, Aconchegando-te em zibelinas - Sonolenta, Ruiva de éteres e morfinas... Ah! que as tuas nostalgias fôssem guisos de prata - Teus frenesis, lantejoulas; E os ócios em que estiolas, Luar que se desbarata... . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Teus beijos, queria-os de tule, Transparecendo carmim - Os teus espasmos, de sêda... - Água fria e clara numa noite azul, Água, devia ser o teu amor por mim... Mário de Sá-Carneiro

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