Nascemos sem trazer nada, morremos sem levar nada, e nesse meio tempo lutamos para ser dono de algo.
quinta-feira, 12 de setembro de 2013
quarta-feira, 11 de setembro de 2013
"Tu não sabes, Belo, Gentil e Interessante Ser, mas esta tarde senti-te em mim. Não tenho forma de precisar a hora, isso não tenho, mas sei que me surgiste de repente, talvez trazida pelo vento. Tu, que és Ar, foste, por momentos, o ar que respirei, o ar que pouco depois me sufocou: Não gostei de te sentir assim... vazia. Não gostei de te sentir rendida, a achar que tudo parece ter mais força do qu...e tu, mesmo eu sabendo que não te vergas perante as tempestades que só os outros sabem ser. Creio que te perdes demasiadas vezes nos mundos que não te pertencem mas que te parecem sempre tão teus, que acabas por te denominar dona deles. Tens em ti o fervilhar da posse - é que quando amas queres sempre tudo na tua mão. Queres sempre perto, e não há nada neste mundo que esteja sempre connosco, pois não? Não sabes como te conter sentimentalmente mesmo quando as distâncias te assombram e a razão te rasga a pele sem pedir perdão. Não sabes entender como é que dás rios e montanhas e céus e recebes em troca o vazio que nos abraça a alma quando alguém vai embora... e às um mimo, um afago, bastava-te. No fundo, agarras-te demasiado a laços que não valem a pena. E dói tanto sempre que nos apoiamos a paredes que quebram e a braços que nos largam. Quero que te lembres do vento e do amor que tens aí para ti. Quero que te lembres de dançar e que deixes de retrair músculos e de te dar a corações que não sabem cuidar de ti. Quero que te lembres do amanhecer em Marvão e do por do sol sobre o Mar. Promete-me que voas mais vezes, Pájaro, e eu prometo-te que ficarei sempre na palma da tua mão."
V.M.
terça-feira, 10 de setembro de 2013
Pensei vagamente em estudar arquitetura, como todo o mundo. Acabaria como todos os que eu conheço que estudaram arquitetura, fazendo outra coisa.
Luis Fernando Veríssimo
Poupei-me daquela outra coisa, mesmo que não me tenha formado em nada e acabado fazendo esta estranha outra coisa, que é dar palpites sobre todas as coisas.
Um sofrimento parecia revelar
a vida ainda mais
a estranha dor de que se perca
o que facilmente se perde
o silêncio as esplanadas da tarde
a confidência dócil de certos arredores ...
os meses seguidos sem nenhum cálculo
por vezes é tão criminoso
não percebermos
uma palavra, uma jura, uma alegria
José Tolentino Mendonça
a vida ainda mais
a estranha dor de que se perca
o que facilmente se perde
o silêncio as esplanadas da tarde
a confidência dócil de certos arredores ...
os meses seguidos sem nenhum cálculo
por vezes é tão criminoso
não percebermos
uma palavra, uma jura, uma alegria
José Tolentino Mendonça
Assusta-me o exagero de um sorriso, os buracos preenchidos com palavras intoleráveis. Assusta-me a febre de inteligência, os diálogos recalcados que suspendem o silêncio. E não são as palavras que apagam as distâncias, e não são as resposta...
s que apagam as perguntas. Gosto do enigma de não saber da infância, do milagre de um beijo. Até o paraíso precisa de morte. Gosto do toque perigoso do teu suor, da respiração de víbora do desejo. A catástrofe é o abraço. E só as catástrofes me fascinam.
António de Deus-Rosto
António de Deus-Rosto
segunda-feira, 9 de setembro de 2013
domingo, 8 de setembro de 2013
Solidão......
Solidão não é a falta de pessoas para conversar, namorar, passear ou fazer sexo... Isto é carência!
Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar... Isto é saudade!
Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes para realinhar os pensamentos... Isto é equilíbrio!...
Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente... Isto é um princípio da natureza!
Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado... Isto e circunstância!
Solidão é muito mais do que isto...
SOLIDÃO é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma.
Francisco Buarque de Holanda (Poeta, compositor e cantor)
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