Nas alturas mais complicadas da minha vida escrevo os melhores capítulos.

Não há passos perdidos.


quarta-feira, 11 de setembro de 2013

"Tu não sabes, Belo, Gentil e Interessante Ser, mas esta tarde senti-te em mim. Não tenho forma de precisar a hora, isso não tenho, mas sei que me surgiste de repente, talvez trazida pelo vento. Tu, que és Ar, foste, por momentos, o ar que respirei, o ar que pouco depois me sufocou: Não gostei de te sentir assim... vazia. Não gostei de te sentir rendida, a achar que tudo parece ter mais força do qu...e tu, mesmo eu sabendo que não te vergas perante as tempestades que só os outros sabem ser. Creio que te perdes demasiadas vezes nos mundos que não te pertencem mas que te parecem sempre tão teus, que acabas por te denominar dona deles. Tens em ti o fervilhar da posse - é que quando amas queres sempre tudo na tua mão. Queres sempre perto, e não há nada neste mundo que esteja sempre connosco, pois não? Não sabes como te conter sentimentalmente mesmo quando as distâncias te assombram e a razão te rasga a pele sem pedir perdão. Não sabes entender como é que dás rios e montanhas e céus e recebes em troca o vazio que nos abraça a alma quando alguém vai embora... e às um mimo, um afago, bastava-te. No fundo, agarras-te demasiado a laços que não valem a pena. E dói tanto sempre que nos apoiamos a paredes que quebram e a braços que nos largam. Quero que te lembres do vento e do amor que tens aí para ti. Quero que te lembres de dançar e que deixes de retrair músculos e de te dar a corações que não sabem cuidar de ti. Quero que te lembres do amanhecer em Marvão e do por do sol sobre o Mar. Promete-me que voas mais vezes, Pájaro, e eu prometo-te que ficarei sempre na palma da tua mão."
V.M.

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