Nas alturas mais complicadas da minha vida escrevo os melhores capítulos.

Não há passos perdidos.


segunda-feira, 10 de novembro de 2014


- "Magia é acreditar em si mesmo, se você pode fazer isso, você pode fazer qualquer coisa acontecer.
(Goethe)

sábado, 8 de novembro de 2014


Ignoro o que seja a flor da água
mas conheço o seu aroma:
depois das primeiras chuvas
sobe ao terraço,
entra nu pela varanda,
o corpo inda molhado
procura o nosso corpo e começa a tremer:
então é como se na sua boca
um resto de imortalidade
nos fosse dado a beber,
e toda a música da terra,
toda a música do céu fosse nossa,
até ao fim do mundo,
até amanhecer.

Eugénio de Andrade



Fotografia de Afonso Azevedo Neves

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Si tu me dices ven, lo dejo todo...mas só me pisca-te o olho...



"...havia uma data de coisas para as quais eu tinha os olhos fechados. E porque procuramos a porta nas paredes em que sabemos que não há porta, quase nos sentimos culpados de ser felizes, se é que isso existe… Mas estar aqui sentado já é uma vitória do caraças, sair para a rua, ver o sol."
António Lobo Antunes

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

 Para atrasar a morte vamos abrir a noite
 com música de jazz
 Percorrê-la depois
 num barco de borracha
 Celebrar o segredo
 Enforcar a memória
 Descobrir de repente
 uma ilha que nasce dentro do teu vestido
 Chamar-lhe Madrugada
 Adormecer contigo

 David Mourão-Ferreira
Foto: BOAS TARDES! <3

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

domingo, 2 de novembro de 2014

“Guarda num velho baú seus instrumentos de trabalho 1 abridor de amanhecer 1 prego que farfalha 1 encolhedor de rios e 1 esticador de horizontes.”
―Manoel de Barros

sábado, 1 de novembro de 2014

"Antes a solidão porque é completa."
SOPHIA DE MELLO BREYNER

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

.."Uns queriam um emprego melhor;
outros, só um emprego.
Uns queriam uma refeição mais farta;
outros, só uma refeição.
Uns queriam uma vida mais amena;...
outros, apenas viver.
Uns queriam pais mais esclarecidos;
outros, ter pais.
Uns queriam ter olhos claros; outros, enxergar.
Uns queriam ter voz bonita; outros, falar.
Uns queriam silêncio; outros, ouvir.
Uns queriam sapato novo; outros, ter pés.
Uns queriam um carro; outros, andar.
Uns queriam o supérfluo;
outros, apenas o necessário.
Há dois tipos de sabedoria: a inferior e a superior.
A sabedoria inferior é dada pelo quanto uma pessoa sabe e
a superior é dada pelo quanto ela tem consciência de que não sabe.
Tenha a sabedoria superior.
Seja um eterno aprendiz na escola da vida.
A sabedoria superior tolera, a inferior julga;
a superior alivia, a inferior culpa;
a superior perdoa, a inferior condena.
Tem coisas que o coração
só fala para quem sabe escutar!
Que possamos estar sempre atentos aos sinais
e saber o que realmente se faz necessário"....
(Chico Xavier)

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Henri Le Sidaner - "Le Dejeuner"
E tantas flores que não são beijos
E tantos sonhos que não são dias
Nuno Camaneiro

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

O Mercado de Usados

DIÁRIO DE UM PSIQUIATRA


Por José Gameiro


O MERCADO DE USADOS

“Ora me sinto na selva, sempre à espera dos predadores, ora me sinto no deserto, fechada em casa”

Não consegui parar de rir. A expressão é brilhante, ainda que possa parecer um pouco chocante: “Sabe, divorciei-me há três anos e, desde então, entrei no mercado de usados...”


A imagem é tão óbvia que não precisa de grandes explicações, mas ela “esmiuçou” detalhadamente como se sentia: “Quando era casada, claro que olhavam para mim, claro que tive abordagens mais ou menos claras, claro que fui percebendo — era muito jovem quando casei — que o casamento já não impede nada, estamos todos no mercado.”

Insistia na metáfora, que eu, se calhar por ser homem, relacionava com automóveis. Não lho disse, mas a intuição feminina não falhou: “Não pense que estou a falar de carros, estou a referir-me a pessoas. Mas quando pus o meu marido a andar, porque se meteu com a minha melhor amiga, estava longe de imaginar que a minha desvalorização fosse tão acentuada. Mas há uma coisa boa no meio disto: aprendi que a nossa cotação não varia só em função da idade.”

Pensei: esta senhora está apanhada pelas centenas de programas sobre economia que vê na televisão desde que começou a crise, não tarda nada está a falar de shortselling, desvalorizações bruscas, e ainda me vai dizer que a CMVM a retirou do mercado... Fantasias machistas de um psiquiatra que não consegue deixar a condição de homem quando uma mulher é um pouco mais arrojada na sua forma de ver as coisas. Guardei para mim os preconceitos e continuei a ouvi-la.

“Com o passar do tempo comecei a achar estranho as minhas amigas terem-se tornado mais esquivas, uns telefonemas de fugida, os jantares ao fim de semana foram-se e, no entanto, o seu apoio quando me separei foi expressivo. Um dia destes não resisti e perguntei à minha amiga mais antiga o porquê; respondeu-me quase a gaguejar: ‘Sabes como são os homens, mulher sozinha é vista como terreno de caça.’ Fiquei elucidada sobre a coutada em que passei a viver, mas o pior ainda estava para vir.”

À parte uma lição sobre a condição de uma mulher no mercado cinegético, ainda não tinha atingido a razão de ter vindo falar comigo. A clarividência era grande, o sofrimento parecia-me desprezível. Continuei sem fazer perguntas. Continuou. Vinha aí o pior, como ela dizia: “Um colega meu de trabalho, que conheço há mais de dez anos, convidou-me para almoçar. Achei estranho, mas fui. Ainda estávamos no pão com manteiga quando começou com uma conversa estragada sobre comer sempre a mesma coisa. Primeiro, fiz que não percebi, não ia chatear-me com um tipo que trabalha comigo. Mas ele quis explicar melhor: ‘Estou com a minha mulher há vinte anos, mas posso variar de prato de vez em quando, para não enjoar.’ Levantei-me da mesa e disse-lhe: ‘Olha, porque é que não vais à casa de banho e tens uma refeição sozinho?’ Sabe?, ora me sinto na selva, sempre à espera dos predadores, ora me sinto no deserto, fechada em casa.”

Continuava sem perceber porque tinha vindo, mas ela, mesmo no fim, explicou-me: “Gostava que me ajudasse a perceber os homens. Ou são muito sérios, querem logo casar, ter muitos filhos e as camisas arrumadas por cores, ou são uns bardinos, divertidos, mas parecem uns cometas, desaparecem num abrir e fechar de olhos.”

Não deve ter gostado da resposta: “Olhe, a queixar-se dos homens não vai a lado nenhum. Desculpe, mas não acredito nesse seu catálogo. Deve andar a ler muitas revistas femininas e alguns romances light… No Alentejo dizem que os homens são como os autocarros, perde-se um, há de vir outro.”

Jornal Expresso SEMANÁRIO, 4 de outubro de 2014

terça-feira, 21 de outubro de 2014

"Hoje acordei com saudades de ti. Depois da perda, nunca mais somos os mesmos. A perda abre espaço para o ganho, mas o que se ganha nunca substituirá a perda. Quem éramos já não somos e o que seremos nunca se aproximará do que fomos. Perder é um dos verbos que mais modifica o verbo ser. Perder-te mudou o meu ser. Para sempre."
André Fernandes

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

domingo, 19 de outubro de 2014

sábado, 18 de outubro de 2014

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

quarta-feira, 15 de outubro de 2014