Nas alturas mais complicadas da minha vida escrevo os melhores capítulos.

Não há passos perdidos.


quinta-feira, 18 de junho de 2015

There is no end. There is no beginning. There is only the infinite passion of life.
― Federico Fellini

quarta-feira, 17 de junho de 2015


"Como era grande a tua solidão. Tão vasta quanto a minha. Mas por razões ocultas, encontrámos vasos comunicantes. Que nos nivelavam o sentir no que me parecia prometida paz. Esquecia-me de um risco que a experiência submarina assinala a todo o mergulhador: a partir de certa fundura, ele fica exposto aos perigos da chamada embriaguês das profundidades.
Espontaneamente, vinham-nos recordações da infância mais remota. Às vezes parecia-me que estávamos tentando remontar aos nossos primeiros anos de vida sobre a terra, para que o encontro começasse nesses tempos e assim crescesse em sintonia. Era como se tudo o que nós os dois tínhamos vivido separadamente exigisse uma qualquer compensação da perda originada por não termos feito o caminho sempre juntos. Resumindo: devíamos ter nascido ao mesmo tempo, brincado juntos, crescido juntos até nos desvirginarmos mutuamente. E termos prosseguido assim. Pelo menos era desta cor que eu sentia as coisas entre nós.
Naquela intimidade eu entendia o alcance da paixão-relâmpago entre adultos: faísca formidável ateando um incêndio que altera tudo. E vinha mais esta descoberta: era como se só agora eu entrevisse a razão de haver uma maneira física intensíssima para relacionar duas pessoas. E - num crescendo desse estar-com - dava comigo, estupefacto, no limiar da invenção do sexo. A partir de tal aprendizagem, tomava consciência horrorizada do que cada ser humano desperdiça (irremediavelmente) na relação sexual à toa.
(...) Tenho passado a vida a tentar despir-me até não ter medo de ficar nu."
Nuno Bragança



Edward Hopper, Quarto em Brooklin

terça-feira, 16 de junho de 2015

segunda-feira, 15 de junho de 2015

John Denver - Annie's Song

Angus & Julia Stone - The Wedding Song (Great quality)

NUNCA SE DEVEM ACUMULAR SILÊNCIOS...


ALICE VIEIRA, in OS ARMÁRIOS DA NOITE 


o perigo de acumular silêncios em
corredores vazios ou
qualquer outro vício que a
vida nos traz

é que depois as palavras
morrem à toa
sem flores sem cânticos sem
missa do sétimo dia

e ninguém sabe para que serviram
se mataram quem não deviam ou
se ficaram entre
os intervalos do sono fazendo-nos
tropeçar nelas como em
chinelos velhos roupa da véspera
peças de um puzzle que nunca
tivemos tempo de acabar

por vezes surge-nos mesmo a tentação de
as tapar com os lençóis brancos das arcas
onde as avós nos organizavam o futuro
e que nunca usávamos porque

eram de linho e o linho
dava muito trabalho a engomar
mas rapidamente entendíamos que
também as palavras davam muito trabalho a desdobrar
na nossa língua e
embora uma ou outra ainda tentasse brilhar
acabavam sempre por encontrar o caminho de saída
onde o rasto dos crimes perfeitos as esperava

sobre elas se abatem
os pesadelos das manhãs de domingo e
ninguém se lembra de lhes arranjar
significados para o que deixaram para trás
neste estranho país onde continuamente as esperamos
no cais das mercadorias fora de prazo

depois tudo acaba
ninguém lhes coloca a pedra
com dia de nascimento e morte
ninguém procura herdeiros ou
calcinados despojos

– cavalos de guerra abandonados
na terra de ninguém



Com o tempo não vamos ficando sozinhos apenas pelos que se foram: vamos ficando sozinhos uns dos outros.” - Mário Quintana

domingo, 14 de junho de 2015

sábado, 13 de junho de 2015

Nem os Santos ajudam: Ninguém tem a capacidade de nos fazer Feliz. Só nós próprios temos esse poder. Somos a laranja inteira!

sexta-feira, 12 de junho de 2015

quinta-feira, 11 de junho de 2015

quarta-feira, 10 de junho de 2015