
terça-feira, 4 de junho de 2019
segunda-feira, 3 de junho de 2019
sábado, 1 de junho de 2019
Não me tirem é os poejos!
Encontro no arrebulho do meu frigorífico um raminho perdido de poejos do meu Alentejo.
Fico maravilhada. Já tenho açorda.
Compro no dia seguinte a pescada para juntar.
Mais um dia para o pão endurecer.
Sábado, dia de mercadinho e açorda, vou comprar os coentros, pimento verde e folha de hortelã.
Chego a casa cozo a pescada. Abro o Branco fresco no ponto.
Descasco os alhos, parto o pão, escalfo os ovos.
Frigorífico, mexo, remexo, volto a remexer.
Fico passada. Agora foi o meu mau feitio ao ponto.
Nunca mandem ninguém limpar o frigorífico. É tarefa apenas de quem cozinha.
Para os outros, erva será apenas erva. A apreciação das aromáticas é prazer dos degustadores.
Ficou açorda de poejo enfrascado à pressão, dessas de condimento de supermercado.
Eu, que até não sou urbano depressiva fiquei. Mas pronto sempre como mais que alface, e açordas que não sabem a açorda.
O pata negra cura tudo!

terça-feira, 28 de maio de 2019
O vento se ausentou do quintal. A lua andou inquieta e invisível em seu espaço lunar...
havia qualquer coisa de azul na flor que o tempo desbotou.
Era oblíqua em seu estado letárgico de ser.
O ruído da palavra era quase encontro com meu silêncio e o canto da ave em seu sistema de asa e o medo do chão.
A monotonia das tardes de domingo contrastando com o verbo voar e o astro celeste a vingar do sol, com sua presença singular.
A garoa veio e o tempo mudou. O frio entra pelas frestas das janelas, da porta e o dia se encarrega de procurar momentos mágicos na vida.
Mariana Gouveia

quarta-feira, 15 de maio de 2019
Mãe - Filha
Um filho, afinal, é quem dá à luz a mãe. Pois cada criança nascida faz nascer uma mãe.
-Mia Couto 18 anos de mãe e de filha, e ensinamentos para ambas, que para ser mãe também se tem que nascer e crescer desde esse primeiro encontro mãe - filho. Mãe, é quem tem o privilégio de criar uma criança que está à nossa guarda durante um certo tempo, que passa muito rápido, sem espaço para digerir no meio de erros, alegrias e tropelias. E só muito mais tarde sentimos se o nosso trabalho foi bem feito.
Recordo um dos aniversários…seria o dos 11 anos talvez…apanhei no grupo de amigos que deveria ser a turma inteira e levo tudo ao cinema. Erro crasso, não vi antes o trailer do filme. Obrigatório ver sempre o trailer. Escolhi para verem uma comédia francesa, retrato dos anos 70, na descoberta dos primeiros amores, escolhas e o despertar sexual.
Quem foi ficando enterrada na cadeira sem conseguir olhar para os miúdos era eu, a imaginar a cara dos pais a ouvirem o relato do filme pelos filhos. Ainda hoje falam disso, foi um filme elucidativo para todos
A comédia que eu achava que era sobre um foguetão e tal que iria cair na Bretanha,... era afinal mesmo na Bretanha, a celebrar o aniversário da avó, onde todos acreditariam que o SkyLab, um pedaço do foguetão da NASA, iria cair sobre as suas cabeças nesse verão. Caiu afinal sobre as nossas próprias descobertas, paixões, desejos, ódios e omissões. A vida real. O fim da inocência.
Os 18 anos hoje que já começaram faz tanto. O que foi, o que agora é, e o que poderá ser. Uma descoberta Madalena (Coração saído do meu).
-Mia Couto 18 anos de mãe e de filha, e ensinamentos para ambas, que para ser mãe também se tem que nascer e crescer desde esse primeiro encontro mãe - filho. Mãe, é quem tem o privilégio de criar uma criança que está à nossa guarda durante um certo tempo, que passa muito rápido, sem espaço para digerir no meio de erros, alegrias e tropelias. E só muito mais tarde sentimos se o nosso trabalho foi bem feito.
Recordo um dos aniversários…seria o dos 11 anos talvez…apanhei no grupo de amigos que deveria ser a turma inteira e levo tudo ao cinema. Erro crasso, não vi antes o trailer do filme. Obrigatório ver sempre o trailer. Escolhi para verem uma comédia francesa, retrato dos anos 70, na descoberta dos primeiros amores, escolhas e o despertar sexual.
Quem foi ficando enterrada na cadeira sem conseguir olhar para os miúdos era eu, a imaginar a cara dos pais a ouvirem o relato do filme pelos filhos. Ainda hoje falam disso, foi um filme elucidativo para todos

A comédia que eu achava que era sobre um foguetão e tal que iria cair na Bretanha,... era afinal mesmo na Bretanha, a celebrar o aniversário da avó, onde todos acreditariam que o SkyLab, um pedaço do foguetão da NASA, iria cair sobre as suas cabeças nesse verão. Caiu afinal sobre as nossas próprias descobertas, paixões, desejos, ódios e omissões. A vida real. O fim da inocência.
Os 18 anos hoje que já começaram faz tanto. O que foi, o que agora é, e o que poderá ser. Uma descoberta Madalena (Coração saído do meu).
segunda-feira, 13 de maio de 2019
sábado, 11 de maio de 2019
Quanto Tempo para o Intervalo
Quanto tempo para o intervalo, perguntas.
Nenhum. Tempo nenhum.
Nenhum. Tempo nenhum.
O corpo é um corvo suspenso, uma aflição,
um corvo aos solavancos, abatido às vezes,
um pontapé, um reflexo de tule e rosmaninho.
um corvo aos solavancos, abatido às vezes,
um pontapé, um reflexo de tule e rosmaninho.
O corpo deve ser de noite, sempre de noite,
enrolando os pés, enrolando tabaco na cama.
enrolando os pés, enrolando tabaco na cama.
Que susto. Que medo do corpo que eles dobram
assim, cheio de nódoas que eu não sei limpar.
Que estranha a forma como saem de dentro
de água infinitamente secos e lúcidos.
assim, cheio de nódoas que eu não sei limpar.
Que estranha a forma como saem de dentro
de água infinitamente secos e lúcidos.
Eu não sabia que dançar era por dentro.
Eu não sabia que dançar era até ao fim.
Eu não sabia que dançar era até ao fim.
A vida, meu amor, é sem intervalo.
Filipa Leal, in 'Fósforos e Metal sobre Imitação de Ser Humano'
quinta-feira, 9 de maio de 2019
Não há mais sublime sedução do que saber esperar alguém.
Compor o corpo, os objectos em sua função, sejam eles
A boca, os olhos, ou os lábios. Treinar-se a respirar
Florescentemente. Sorrir pelo ângulo da malícia.
Aspergir de solução libidinal os corredores e a porta.
Velar as janelas com um suspiro próprio. Conceder
Às cortinas o dom de sombrear. Pegar então num
Objecto contundente e amaciá-lo com a cor. Rasgar
Num livro uma página estrategicamente aberta.
Entregar-se a espaços vacilantes. Ficar na dureza
Firme. Conter. Arrancar ao meu sexo de ler a palavra
Que te quer. Soprá-la para dentro de ti -------------------
----------------------------- até que a dor alegre recomece.
maria gabriela llansol
o começo de um livro é precioso
Compor o corpo, os objectos em sua função, sejam eles
A boca, os olhos, ou os lábios. Treinar-se a respirar
Florescentemente. Sorrir pelo ângulo da malícia.
Aspergir de solução libidinal os corredores e a porta.
Velar as janelas com um suspiro próprio. Conceder
Às cortinas o dom de sombrear. Pegar então num
Objecto contundente e amaciá-lo com a cor. Rasgar
Num livro uma página estrategicamente aberta.
Entregar-se a espaços vacilantes. Ficar na dureza
Firme. Conter. Arrancar ao meu sexo de ler a palavra
Que te quer. Soprá-la para dentro de ti -------------------
----------------------------- até que a dor alegre recomece.
maria gabriela llansol
o começo de um livro é precioso
sábado, 20 de abril de 2019
sexta-feira, 19 de abril de 2019
sábado, 6 de abril de 2019
terça-feira, 26 de março de 2019
“No te enamores de una mujer que lee, de una mujer que siente demasiado, de una mujer que escribe…
No te enamores de una mujer culta, maga, delirante, loca. No te enamores de una mujer que piensa, que sabe lo que sabe y además sabe volar; una mujer segura de sí misma.
No te enamores de una mujer que se ríe o llora haciendo el amor, que sabe convertir en espíritu su carne; y mucho menos de una que ame la poesía (esas son las más peligrosas), o que se quede media hora contemplando una pintura y no sepa vivir sin la música.
No te enamores de una mujer a la que le interese la política y que sea rebelde y vertigue un inmenso horror por las injusticias. Una a la que no le guste para nada ver televisión.
Ni de una mujer que es bella sin importar las características de su cara y de su cuerpo. No te enamores de una mujer intensa, lúdica, lúcida e irreverente.
No quieras enamorarte de una mujer así. Porque cuando te enamoras de una mujer como esa, se quede ella contigo o no, te ame ella o no, de ella, de una mujer así, jamás se regresa”
Martha Rivera Garrido, poeta dominicana
segunda-feira, 25 de março de 2019
domingo, 24 de março de 2019
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Viver é um rasgar-se e remendar-se.

