Nas alturas mais complicadas da minha vida escrevo os melhores capítulos.

Não há passos perdidos.


sábado, 14 de dezembro de 2019

sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

"Tu hogar no es donde naciste;
el hogar es donde todos tus intentos de escapar, cesan".
Naguib Mahfouz



A ti não preciso ensinar os meus trilhos.
Caminha-me.

Lo que los árboles nos enseñan acerca de la vida y la permanencia, por Herman Hesse


“Cuando hemos aprendido cómo escuchar a los árboles, entonces la brevedad y la rapidez y la precipitación infantil de nuestros pensamientos alcanzan una dicha incomparable” afirmaba el genial escritor alemán.
Es difícil desasociar la sensibilidad artística de aquella que nos permite apreciar, y abrazar, el alma de la naturaleza. Incluso podríamos afirmar que la esencia primigenia de la estética, de las artes y de nuestras múltiples abstracciones en torno a la belleza, se origina en esa perfección retórica que pregonan las caídas de agua, las estructuras florales, los imperturbables desiertos o las intrigantes selvas.
Tomando en cuenta lo anterior, no debiera sorprendernos que Herman Hesse, el genial autor alemán, haya sido capaz de hilar un tributo literario a los árboles; esos pilares que irradian la más reconfortante sabiduría. Este fragmento fue tomado de su libro Wanderung: Aufzeichnungen (Berlin: Fischer, 1920; traducido al inglés como Wandering: Notes and Sketches y al español como El caminante).






En sus copas susurran el mundo, sus raíces descansan en lo infinito, pero no se pierden en él, sino que persiguen con toda la fuerza de su existencia una sola cosa: cumplir su propia ley, que reside en ellos, desarrollar su propia forma, representarse a sí mismos. Nada hay más ejemplar y más santo qué un árbol hermoso y fuerte. Cuando se ha talado un árbol y éste muestra al mundo su herida mortal, en la clara circunferencia de su cepa y monumento puede leerse toda su historia: en los cercos y deformaciones están descritos con facilidad todo su sufrimiento, toda la lucha, todas las enfermedades, toda la dicha y prosperidad, los años frondosos, los ataques superados y las tormentas sobrevividas. Y cualquier campesino joven sabe que la madera más dura y noble tiene los cercos más estrechos, que en lo alto de las montañas y en peligro constante crecen los troncos más fuertes, ejemplares e indestructibles.
Los árboles son santuarios. Quien sabe hablar por ellos, quien sabe escucharles, aprende la verdad. No predican doctrinas y recetas; predican indiferentes al detalle, la ley primitiva de la vida.
Un árbol dice: en mi vida se oculta un núcleo, una chispa, un pensamiento, soy vida de la vida eterna. Es única la tentativa y la creación que ha osado en mí la Madre Tierra. Mi misión es dar forma y presentar lo eterno en mis marcas singulares.
Un árbol dice: mi fuerza es la confianza. No sé nada de mis padres, no sé nada de miles de retoños que todos los años provienen de mí. Vivo hasta el fin del secreto de mi semilla, no tengo otra preocupación. Los árboles tienen pensamientos dilatados, prolijos y serenos, así como una vida más larga que la nuestra. Son más sabios que nosotros, mientras no les escuchamos. Pero cuando aprendemos a escuchar a los árboles, la brevedad, rapidez y apresuramiento infantil de nuestros pensamientos adquieren una alegría sin precedentes. Quien ha aprendido a escuchar a los árboles, ya no desea ser un árbol. No desea ser más que lo que es.

domingo, 8 de dezembro de 2019

Sempre que vou jantar a casa dos meus pais,saio de lá com a infância atravessada : Benfica mudou, a minha mãe deixou de ter 30 anos, posso fumar sem que ninguém me proiba, quando vem a travessa para a mesa nunca são fatias recheadas, não encontro os meus irmãos de pijama, com os cabelos loiros molhados do banho. A casa dos meus pais não se alterou muito: os quartos dos filhos transformaram -se em salas mas o cheiro é o mesmo . Há retratos de mortos : os meus avós, alguns tios ,algumas tias, mortos que nunca me habituei ao facto de estarem mortos,que não me espantaria se entrassem de repente, pessoas que me fazem falta uma falta dos diabos e a quem não faço falta nenhuma porque nada agora lhes faz falta quanto mais eu. Sempre que vou a casa dos meus pais saio de lá com a infância atravessada : não conheço as pessoas nem os prédios, o Paraíso levou sumiço, a Havaneza evaporou-se....................................
A infância atravessada é pior que uma espinha : a gente engole as bolas de pão e não passa. Talvez seja por isso que vou a Benfica uma vez por mês se tanto e que quando lá vou me sinto como um cão à procura de um osso que julgo ter enterrado e afinal de contas não existia osso nenhum. Um osso que mesmo assim procuro até me arderem os olhos. Como me procuro nos álbuns de retratos. Como me procuro debaixo da minha cama
(Está lá a minha cama )
Como me procuro no quintal, na figueira do quintal, no sítio onde havia poço, em que havia a capoeira, de modo que depois do jantar fico no automóvel a ver o muro ,.o portão com um ananás de cada lado, as janelas trancadas, a copa escura da acácia porque é noite . Se calhar é sempre noite quando a gente cresce. Fico no automóvel à espera que a minha mãe me chame e sabendo que não me chama porque julga que me fuí embora.
Realmente fui-me embora. Para sempre.
António Lobo Antunes

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sábado, 7 de dezembro de 2019


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See the source image"Buscamos darle algún sentido a la vida, pero la vida solo tiene sentido si somos capaces de cumplir estos tres propósitos: dar amor, recibirlo y saber perdonar. Todo lo demás es una pérdida de tiempo".

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019


Dezembro era só o princípio
Vens do frio sólido e do calor sem água,
um mundo botânico e resistente,
onde o vento cantava como lobos, como as cigarras,
uma melodia que não te sai da memória,
às vezes ainda percebes o vento,
percebes as nuvens, percebes a chuva,
e snifas a cheiro a terra molhada como se fosse cocaína.
Nove meses de Inverno e três de Inferno,
diziam, dizes,
danças com Dante desde pequena,
tu que vens de do fim do mundo,
da Idade Média,
do tempo da Inquisição,
onde as pessoas de pedra,
as casas de granito,
os montes semeados de fragas,
um mundo nada arável, nada amável,
os animais apenas bestas,
um mundo de estrangeiros sem estrangeiros,
um mundo de emigrantes,
de fugitivos, um mundo prisão,
todos em coro dentro da mesma canção,
que cantada em silêncio passava por oração.
Também és emigrante,
a cada um a sua América o seu sonho americano,
sonhas com um chão italiano,
mas não passas de um peregrino,
Cidade do Vaticano, Meca, Jerusalém,
Santiago, Kyoto, Varanasi, Fátima, Istambul,
falta-te Fátima, falta-te fé no divino,
faltam-te fatalidades na vida.
Tens fé nas pessoas e nos corações perdidos,
tens ternura por defeitos e fraquezas,
ternura pelas flores secas,
pelas flores ainda fechadas.
É da cidade a ternura,
estás a perder a consistência de pedra.
A cidade tem outra luz, outro vento, outra literatura,
Shakespeare, Cervantes, Camões,
tu na jaula com os leões,
tu em casa com três gatos,
as cortinas paradas, sem movimento,
o vento rouco do asfalto, rouco do trânsito,
canto de pássaros nenhum,
a chuva ácida, as janelas fechadas como as flores,
fechadas para novos amores,
a devoção é isto,
uma fidelidade de cão mesmo abandonado,
tens saudades do vento,
do cheiro dos lápis acabados de afiar,
dos cadernos com poemas,
lembravam campos de beterrabas, os cadernos,
cheios das pedras a desafiar arados,
tens saudades até do cheiro da pedras,
da surpresa das lagartixas debaixo da pedras,
não tens saudade de Dezembro.
E Dezembro era só o princípio.
Raquel Serejo Martins


o Sol aquece até ao futuro.
É preciso meter o coração pelos atalhos.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

E pensar que somos rijos que se farta, se afinal qualquer objecto tem uma durabilidade maior. Sempre me fez confusão como a máquina de café permanece indiferente às mãos que partem. Os sabonetes no armário a perfumar toalhas continuam intactos. As toalhas descoradas e suaves servem melhor que novas. Os crisântemos renascidos ao Sol. O piporro de barro parece inquebrável, mas já sem água. O gaspacho agora é inventado por mim a todas as horas de fome. O pão sem nada, nem conserva graça nem pureza ou inocência. Foram se apenas os dias bonitos, e o Natal agora ficou frio como é de época. Os cantes escassos fazem eco. E o caminho do Sul perdeu o Norte.
E tu avó?

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The Waterboys - Spirit

"De todo, quedaron tres cosas:
la certeza de que estaba siempre comenzando,
la certeza de que había que seguir
y la certeza de que sería interrumpido antes de terminar.
Hacer de la interrupción un camino nuevo,
hacer de la caída, un paso de danza,
del miedo, una escalera,
del sueño, un puente,
de la búsqueda... un encuentro".
Fernando Sabino