Nas alturas mais complicadas da minha vida escrevo os melhores capítulos.

Não há passos perdidos.


sábado, 18 de julho de 2020


Notas de rodapé, numa sexta de um Julho quente, mas não tão quente como deveria.
A propósito deste novo estado de actualidade,
a dor de cotovelo deixou de ser indicativa da “dor” a que era referente. Nesta realidade pode indicar exactamente o oposto. Até chegar ao absurdo de pensar que “ainda nos resta o cotovelo!”
Desejo chegar ao fim do dia com os ditos doridos.
Os que eram de abraços e toques como eu pensarão o mesmo.
Os distantes, que se inibiam de fazer pontes físicas estarão nas nuvens.
Mas as histórias que caminham não se fazem de distantes, mas de calorosos presentes. Nenhum homem é uma Ilha.
Que não nos faltem e falhem então os cotovelos, que pouco contacto físico nos resta, entre sorrisos escondidos e olhos embaciados e desfocados à espreita.
Que o medo esteja apenas de visita, que não faça disto ninho ou bandeira.
Deixaremos?
Eu não❣️


 

segunda-feira, 13 de julho de 2020

domingo, 12 de julho de 2020

A imagem pode conter: texto que diz "COMO SI SE PUDIERA ELEGIR EN EL AMOR COMO SI NO FUERA UN RAYO QUE TE PARTE LOS HUESOS Y TE DEJA ESTAQUEADO EN LA MITAD DEL PATIO."
"Decía Cortázar: 'No elegís la lluvia que te va a calar hasta los huesos cuando salís de un concierto'. 
Al ver a (...) sentí eso. No elegí: amé. Llovió encima de mí".
Juan Villoro.

The windmills of your mind - Alison Moyet (lyrics)

You Will Always Be Lonely

Arcade Fire - Keep The Car Running w lyrics

PUBLIC - Make You Mine (Official Lyric Video)

sábado, 11 de julho de 2020

"Envelheço com a nómada solidão das aves."
Al Berto

É frequente acontecer-me, com uma nitidez tal que confunde e mistura o passado num presente. 
De repente não estou aqui mas em Barrancos. Num momento de registo casual, tinha chegado de ir buscar água fresca à Fonte da Pipa, que era a melhor água do mundo, enchia o piporro do avô Mendes, que lavava as garrafas de vidro para as voltar a encher, umas de água outras de vinho. Comi pão com queijo fresco e sal. Fui à rua, ouvi-me a gritar Ehhh...Tia Ângela!!, era a vizinha dos meus avós da casa da frente. A manhã que tinha sido fria adivinhava a tarde ardente. Era aquela hora antes do almoço onde ainda se podia andar na vizinhança. O barulho das andorinhas na rua. E tanta claridade. Teria 12 ou 13 anos. De vestido rodado, infantilizado e saltitante. Pálida e magrinha como só era eu. A risca feita ao meio da cabeça, os ganchos grandes de cada lado firmavam a teimosia dos arrepios num cabelo mal cortado, castanho, fino e escorregadio. Usava óculos de massa maiores que a cara fina. E uns enormes olhos claros e absorventes, que guardaram tudo. De tal forma que ainda hoje sinto o longo corredor escuro, fresco e o cheiro do encerado, vejo a luz ao fundo, oiço as gargalhadas da Tia Ângela, que se sentava com os braços roliços cruzados sobre o farto peito a contar histórias que eu gostava de ouvir. Vejo os sinais grandes que tinha na cara. Os óculos pequenos, finos de haste preta só em cima. Os contrastes. E aí percebi o conforto duma Alma alegre num corpo satisfeito. Deve ser por isso que não parei de engordar.
Ah sim... já sei o que fui lá fazer, aguardava o Sr. Constantino que estava para chegar do talho. Traria as costeletinhas de borrego, partidas fininhas como só ele, que eu levaria para a Avó Pura cozinhar. Não tornei a provar. O Amor de avó não se replica.

quinta-feira, 9 de julho de 2020

Road Trip With Nena

A imagem pode conter: Rita Garro e Madalena Ferreira Da Cunha, pessoas a sorrir, closeup e interiores
Só isso se guarda: o amor e as palavras.
Ele continuará a existir em ti, porque o amor tem o dom de permanecer debaixo da pele e no brilho dos olhos de quem o guarda.
Só isso se guarda: o amor e as palavras.
A coragem de os viver por inteiro.

Inês Pedrosa
A imagem pode conter: texto que diz "Estamos sós com tudo aquilo que amamos."

quarta-feira, 8 de julho de 2020

Tudo o que tenho
não tem posse:
o rio e suas ocultas fontes,
a nuvem grávida de novembro,
o estilhaçar do riso em tua boca.
Só me pertence
o que não abraço.
Eis como eterno me condeno:
- amo o que não tem despedida.
Mia Couto

terça-feira, 30 de junho de 2020

domingo, 28 de junho de 2020


O corpo faz o que a mente provoca.

Saudades desses instantes de leveza,
numa Lisboa caótica, desequilibrada, desalinhada, humanizada e eu no meio.
A imagem pode conter: uma ou mais pessoas e ar livre

sábado, 27 de junho de 2020


“Todo homem está dividido entre duas necessidades: a necessidade da canoa, ou seja a necessidade de partir em uma jornada e se afastar de si mesmo. E a necessidade da árvore, isto é, do enraizamento, da identidade.
E os homens vagueiam constantemente entre estas duas necessidades, cedendo por vezes a uma, e às vezes a outra; até que um dia eles entendem que é com a árvore que se fabrica a canoa.”
Nenhuma descrição de foto disponível.

sexta-feira, 26 de junho de 2020