“Above all, don't lie to yourself. The man who lies to himself and listens to his own lie comes to a point that he cannot distinguish the truth within him, or around him, and so loses all respect for himself and for others. And having no respect he ceases to love.”—From THE BROTHERS KARAMAZOV
quinta-feira, 22 de outubro de 2020
terça-feira, 20 de outubro de 2020
quinta-feira, 15 de outubro de 2020
domingo, 11 de outubro de 2020
sexta-feira, 9 de outubro de 2020
Há! Mas são verdes!
Até que sou rapariga de gostar de comer verdes e afins... antes disto ser moda já eu andava no pólen, mesmo sendo alentejana pata negra.
Mas já não se pode com tanta comida saudável a saber ao mesmo.
Degustar sim mas que surpreenda.
Manias de tudo querer brunch e sushi.
Suspiro por algo de verdade, que me faça salivar. Que aqueça.
Chega de cafés à la país do norte, restaurantes em tons pastel e espaços a soar a leve e light.
É bowls, salmão e tostas de abacate em cada prato. Menú previsível. Porta sim porta sim... vira o disco e toca o mesmo em todas as ruas. Em loop.
Pura vida mas nem tanto.
Regressem os taberneiros,
que falta que me fazem os azulejos feios nas paredes, as cadeiras incómodas lascadas, o verdadeiro velho mosaico hidráulico, o cheiro à tasca de sempre, a conta menos que dez na toalha de papel.
Comer a gordura a escorrer a rodos, venha o pernil e a batatinha frita.
Saudades de me sentar em frente a um copo a ouvir conversas das caras de quem vive nos lugares de sempre que foram substituídos por mais do mesmo, onde não somos um nome mas um número.
Digo que:
Tenho apetite do tacho simples. Que a barriga é velha e a fome ainda mais.
E que antes ser do colesterol que da falta dele.
domingo, 4 de outubro de 2020
Ave madrugadora
De visita à Aldeia,
lembro - me sempre daquele poema do Manuel da Fonseca,
ALDEIA
Nove casas,
duas ruas,
ao meio das ruas
um largo,
ao meio do largo
um poço de água fria.
Tudo isto tão parado
e o céu tão baixo
que quando alguém grita para longe
um nome familiar
se assustam pombos bravos
e acordam ecos no descampado.
Manuel da Fonseca
Ainda assim não despertou a professora que o Sr. Domingos conta que para aqui veio descansar, e disse:
- Esqueci-me de acordar.
Será porque aqui o tempo parou.
Casas de pedra, em torno de uma única rua.
O som das galinhas e do vento a roçar nas azinheiras.
Ensino a Carminho que viver também é quebrar regras e a usar o baloiço só para hospedes.
Aproveito o balanço e vou também no Baloiço e no Balancé.
Outra vez criança.
O ar na cara, arejo,
que gaiolas citadinas apodrecem o corpo e tolhem o espirito.
O azul do céu no verde da eira,
Curada.

