Nas alturas mais complicadas da minha vida escrevo os melhores capítulos.

Não há passos perdidos.


terça-feira, 27 de agosto de 2019

Ser rebelde lleva la vida entera,
borrarte los privilegios de la piel,
inscribirte en la soledad del desacuerdo,
dejar atrás a los usurpadores….
No hay premio a una rebelde
más allá de poder regar sus flores en el tiempo que apropia,
salir a dar de comer a las aves una mañana donde el capital devora,
sonreír con los dientes maltrechos ante la desventura del desayuno,
ser indigente en la casa que nadie sueña.
Las rebeldes saben de qué están hechos los premios,
rechazan los mendrugos que lanza la mano del opresor.
Una rebelde tiene como único premio la vida,
porque de ella nadie se apropia,
en ella nadie la usurpa,
porque es la única tierra propia de cada rincón donde duerme.
Su rebeldía alcanza siempre a cobijar el
desánimo del progreso
y si de paso una rebelde tiene la alegría
en soledad, ha vencido al mundo".

Doris Lessing

domingo, 25 de agosto de 2019

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

"Mas é no presente que o seu canto me toca; e dou-lhe, no abrigo da estrofe,
um ninho de palavras onde o seu sono se
recolha do inverno, e os seus olhos fechados
guardem a imagem do azul, o desejo do voo, e
um restolhar de folhas no vento da tarde."

Nuno Júdice, in "Fórmulas de uma luz inexplicável"

quinta-feira, 18 de julho de 2019

Esta noite preciso de outro verão sobre a boca
crescendo nem que seja de rastos.
eugénio de andrade



quarta-feira, 17 de julho de 2019

terça-feira, 16 de julho de 2019

o que verdadeiramente me dói não são as palavras
que nestes anos todos ficaram por dizer
arrumadas entre os medos que não gritámos juntos
e os sonhos que não transpirei na tua pele
o que verdadeiramente me dói são os silêncios
que nunca habitámos do mesmo lado
porque o silêncio só pode ser partilhado
com aqueles que amamos até à loucura
só ele é a dádiva perfeita que não pede mais nada
a não ser um mesmo lugar para deitar a cabeça
e esperar que a madrugada lentamente desfaça
todos os segredos e nada mais seja preciso
para voltarmos a ter vinte anos mesmo que
os vinte anos tenham morrido para sempre
na cidade em chamas.
Alice Vieira

segunda-feira, 8 de julho de 2019

sábado, 29 de junho de 2019

"A nossa vida é uma sucessão de encontros e desencontros. Passam-nos pessoas pela vida todos os dias. Umas que nem damos por elas; outras com alguma notoriedade e outras que chegam e se instalam para ficar. E, quando ficam, nem significa que permaneçam junto de nós. Significa que permanecem dentro de nós!
Há os que até longo tempo permanecem por perto, mas que quando se vão embora nem damos por isso. Talvez porque nunca estivemos verdadeiramente junto deles. Ou eles junto de nós. Que passam, não deixam marca e, provavelmente, não ficam marcados.
Mas há os que nos marcam para a vida. Aqueles que, passe o tempo que passar, continuarão a ser uma parte indivisa do nosso interior. Que se ausentaram fisicamente, mas que se esqueceram de si mesmos dentro do fundo de nós. Gente que se foi embora e não se levou consigo. Gente que amamos profundamente pela continuidade do tempo.
Gente longe que permanece perto. Gente que está fora que guardamos dentro. Gente que não se deixa ausentar.
Gente. Tu. E eu."

sábado, 8 de junho de 2019

sexta-feira, 7 de junho de 2019

quarta-feira, 5 de junho de 2019

"Sé por experiencia que, en la vida, sólo en contadísimas ocasiones encontramos a alguien a quien podamos transmitir nuestro estado de ánimo con exactitud, alguien con quien podamos comunicarnos a la perfección. Es casi todo un milagro, o una suerte inesperada, hallar a esa persona. Seguro que muchos mueren sin haberla encontrado jamás. Y, probablemente, no tenga relación alguna con lo que se suele entender por amor. Yo diría que se trata más bien, de un estado de entendimiento mutuo cercano a la empatía."
Haruki Murakami

terça-feira, 4 de junho de 2019

segunda-feira, 3 de junho de 2019

sábado, 1 de junho de 2019

Pero no olvido que la vida y todas sus grandes cosas son eternas y momentáneas, y que de pronto en un instante podemos quedarnos ciegos en medio de la luz, muertos en medio de la vida, solos en medio del amor.

Não me tirem é os poejos!

Encontro no arrebulho do meu frigorífico um raminho perdido de poejos do meu Alentejo.
Fico maravilhada. Já tenho açorda. Compro no dia seguinte a pescada para juntar. Mais um dia para o pão endurecer. Sábado, dia de mercadinho e açorda, vou comprar os coentros, pimento verde e folha de hortelã. Chego a casa cozo a pescada. Abro o Branco fresco no ponto. Descasco os alhos, parto o pão, escalfo os ovos. Frigorífico, mexo, remexo, volto a remexer. Fico passada. Agora foi o meu mau feitio ao ponto. Nunca mandem ninguém limpar o frigorífico. É tarefa apenas de quem cozinha. Para os outros, erva será apenas erva. A apreciação das aromáticas é prazer dos degustadores. Ficou açorda de poejo enfrascado à pressão, dessas de condimento de supermercado. Eu, que até não sou urbano depressiva fiquei. Mas pronto sempre como mais que alface, e açordas que não sabem a açorda. O pata negra cura tudo!
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