Nas alturas mais complicadas da minha vida escrevo os melhores capítulos.

Não há passos perdidos.


domingo, 17 de junho de 2012

Vicente Mais ou Menos de Souza: Verdade, verdadinha

 ...Numa altura em que os relacionamentos estão e estarão na ordem do dia, ou seja a ocupar as nossas mentes cada um com os seus problemas... ocorreu-me dizer que não há vencedores nem vencidos nestas "querelas" e que a maior luta é connosco próprios.

Esta é a verdade verdadinha.

Na sua maioria as pessoas até sabem o que está em jogo. Aceitar é que se torna complicado!

Na maior parte das vezes são as próprias pessoas que estão em processo de libertação, crescimento, mudança, mas têm medos, vai contra tudo o que idealizaram na vida e tira-as da zona de conforto.

Verdade, verdadinha, uma relação amorosa tem que significar crescimento, liberdade de se ser, prazer e paz para os dois.

Se se enumerar o que a relação com o outro(a) trás : a calma de uma rotina, os filhos dos dois, o facto de se sentirem amados, a ideia de que tudo está como devia estar, o hábito, a situação financeira, os amigos e a envolvente social, o companheirismo de anos, o arrumar de "coisas", o sexo e muito mais... há, no entanto, um factor que perturba tudo isto, as emoções complementares, que nos magoam, que nos desequilibram.

É aqui que se torna importantíssimo que as pessoas se conheçam amplamente, que saibam aceitar enganos, ilusões, receios, traumas, e que convivam com o que são hoje, despidos e desmascarados.

 Ilustração: La foscor de la nit, de vegades, es com la solitud interior, por d'Ha Jin, in Pinzellades al món, Cataluña
 
"Não nos devemos preocupar em viver muito, mas sim em viver plenamente; viver muito depende do destino, viver plenamente, da nossa própria alma. Uma vida plena é longa quanto basta."

Séneca

sábado, 16 de junho de 2012


“Em caso de tristeza vire a mesa.

Coma só a sobremesa. Coma somente a cereja..."

E que bem me souberam!

I love You Porgy - Keith Jarrett

Momentos da vida moderna

Na praia,

à minha frente num cenário paradisíaco, uma cama "chill out" com dois namorados.
Ela agarrada a ele. Ele agarrado ao seu Ipad.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Para os apreciadores de Gin....

....os melhores que bebi até agora em Lisboa,

- Café Buenos Aires na Fábrica
   Rua do Duque, 22
   Chiado

- Orpheu Caffé
   Praça do Principe Real


«Não há-de voltar o verão em que ouvi
cair os ramos naquele bosque de fetos
e eucaliptos; nem o pássaro que por
um instante apagou o sol voltará a
cantar antes de se perder no horizonte.
... Mas voltarei a sentir o que o teu
corpo me fez sentir quando um vento
abstracto nos envolveu de luz, e
depois a sombra caiu, de novo,
com o calor seco daquela tarde.
Mudam-se os tempos, é verdade,
mas não mudamos quando o tempo
corre por entre nós com a sua lenta
música, e num abraço o perdemos
para que o tempo corra sem tempo.
Assim, os nós que o tempo desata
com os seus dedos são os nós que
nos prendem, e com os dedos do verão
os fazemos atar-nos mais ainda,
soltos nós que nesse nó nos solta a voz.»

 Nuno Júdice, Nós (in Fórmulas de uma luz inexplicável), Dom Quixote 2012

Cat Power Wild is the wind


Há muito que deixei aquela praia
de grandes areais, de grandes vagas
Mas sou eu ainda quem na brisa respira
E é por mim que espera cintilando a maré vaza

Sophia de Mello Breyner Andresen

Esta mesa em que escrevo foi pensada
para ter muitos amigos à volta dela.
Podemos encaixar-lhe duas tábuas
torná-la mais comprida.
Haverá mais pratos, mais cadeiras.
... Todas as mesas são pequenas se não contam
com todas as estrelas do céu.
Não mata a fome nenhum pão que não repartas.

Está velha, a mesa. Protesta
chia, range, resmunga
grita, geme, lamenta-se.
Se poisas os cotovelos
se levantas os cotovelos
se estendes a toalha
se tiras a toalha
se sacodes as migalhas,
aqui d'el-Rei que a matam!

Vejam. Toda riscada.
Toda esfolada.
Os golpes, os rasgões. E sob
a pele fina do contraplacado
vemos a carne viva do castanho.
O que não a invalida, notem bem.
Ninguém trabalha melhor do que ela
em questão de talher, de copos, de terrina.
Com a toalha posta
(ou, digamos, depois de maquilhada)
a porcelana de nobreza, os vidros
de bem com a luz, ei-la orgulhosa
da sua condição.
(...)

(excerto de "Divina Música")
Mário Castrim, in "Viagens em casa", Editorial Caminho
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quinta-feira, 14 de junho de 2012

"Todas as mesas são pequenas se não contam com todas as estrelas do céu!"

 Mário Castrim

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Óleo sobre tela: Moonlight on the River, de Lowell Birge Harrison



segunda-feira, 11 de junho de 2012

"Ela tem um sorriso doce, como se brilhasse sob uma luz deslumbrante. E, com esse sorriso, estaria a pensar sem dúvida nessa "outra vez", porque a viu enrubescer pouco a pouco - como se todo o seu corpo se abrasasse com o calor das palavras que ele lhe disse."