Nas alturas mais complicadas da minha vida escrevo os melhores capítulos.

Não há passos perdidos.


sábado, 4 de maio de 2024

Emil Nolde


 

 «Senti o sabor da mortalidade na minha boca e, nesse momento, compreendi que não ia viver para sempre. Demora muito tempo a aprender isso, mas quando finalmente se aprende, tudo muda dentro de nós, nunca mais voltamos a ser os mesmos. Tinha dezassete anos e, de repente, sem a mais pequena sombra de dúvida, compreendi que a minha vida era minha, que me pertencia a mim e a mais ninguém.»

— Paul Auster, in Palácio da Lua

sexta-feira, 3 de maio de 2024

quinta-feira, 2 de maio de 2024

quarta-feira, 1 de maio de 2024


 


 

El día en que Siri conoció a Paul:


«23 de febrero de 1981. Estoy saliendo con J. del recital de poesía y nos detenemos en el vestíbulo de la 92nd Street Y para hablar de los poemas que acabamos de escuchar. Desde donde estoy me fijo en un hombre atractivo que está parado frente a la puerta. Tiene la cara delgada, los ojos enormes y la boca pequeña y delicada; el pelo casi negro y la piel morena clara. Fuma un puro pequeño, y se encorva dentro de su cazadora de cuero y de sus tejanos azules cada vez que se lo lleva a los labios. Me fijo en que tiene los pies bastante grandes, y también me gustan esos pies. En cuestión de segundos lo he abarcado con la mirada y me siento mareada por la atracción. No recuerdo si J. me ve comérmelo con los ojos y me dice que lo conoce, o si yo le pregunto si tiene alguna idea de quién es. «Es Paul Auster –dice–, el poeta». Nos presenta y los tres vamos en taxi al centro. En el asiento trasero Paul habla de George Oppen, el poeta al que acaba de visitar en California. Me gusta su voz, y me gusta la calidez y la ternura que percibo en ella cuando habla de «George». Entonces no lo sabía, pero ahora me pregunto si no me resultaba familiar lo que oía. Mi padre tenía esa cualidad cuando estaba vivo, y entonces lo estaba. Su voz cambiaba de inflexión cuando hablaba de alguien a quien apreciaba. En el taxi ya estoy enamorada, delirante, embelesada, arrebatada, y estoy tratando de disimular. El hombre que tengo al lado no lo está. Lo veo en sus ojos velados, pensativos.
»No le dejo solo ni un instante. En la fiesta solo hablo con él. Hablamos. Hablamos. Paseamos por la calle y hablamos. Nos sentamos en un bar y hablamos. Los ojos hermosos empiezan a enfocar. Me está mirando, me está escuchando. Noto que le gusto.
»Son las primeras horas de la mañana y estamos juntos en West Broadway. Estoy muy cerca de él, mirándolo a la cara, pero ahora, después de horas y horas de hablar, no tengo nada que decir. Es tarde. La velada se ha acabado, y volveré a casa y pensaré en él. De pronto él me besa, y es el mejor beso del mundo. Un taxi se para y nos subimos juntos a él.
»Poco después leí sus poemas, sus ensayos y finalmente la primera mitad de La invención de la soledad, «Retrato de un hombre invisible». Para entonces ya había muchos libros dentro de mí, pero estos me sorprendieron por su originalidad. Conocí al hombre antes de leer lo que había escrito, pero si no me hubiera entusiasmado su obra como me entusiasmó, o si él no hubiera admirado mi forma de escribir, las cosas habrían cambiado. Nuestro trabajo ha constituido un componente íntimo de nuestra relación amorosa y de nuestros veintitrés años de matrimonio, pero lo que leí no fue entonces, ni lo es ahora, lo que sé cuando estoy con él. Su obra proviene de ese lugar en su interior que nunca llegaré a conocer».

—Siri Hustvedt

“Se vive solo. Los demás están a nuestro alrededor, pero vivimos solos. A veces conseguimos asomarnos al misterio del otro, penetrar en él, pero es muy poco frecuente. Es el amor, principalmente, el que permite esos encuentros”,

Paul Auster 1947-2024

 


“O mundo é tão imprevisível. As coisas acontecem de repente, inesperadamente. Queremos sentir que estamos no controlo da nossa própria existência. Em alguns aspectos somos, em alguns aspectos não somos. Somos governados pelas forças do acaso e da coincidência.”

Paul Auster

"Ler foi a minha fuga e o meu conforto, o meu consolo, o meu estimulante de escolha: ler pelo puro prazer, pela bela quietude que te rodeia quando ouves as palavras de um autor reverberação na tua cabeça.”

Paul Auster

Tenho a impressão de que ando em círculos, que vou em várias direções ao mesmo tempo. Mesmo quando consigo seguir em frente, não tenho certeza se estou indo na direção certa. Apenas vagar pelo deserto não significa que exista uma terra prometida.

Paul Auster

Bruno Walpoth


 

domingo, 28 de abril de 2024

 Regresso,

à minha casa de campo,

embora nunca se regresse na verdade a nada nem a ninguém.

Regressamos quanto muito a uma casa - abraço

que aqui, no dia de hoje,

ainda foi mais longo.

Falta uma peça importante do galheteiro,

mas ainda existe a Alma,

de quem sempre 

acolheu a minha morada mais intima.

A Maria Betânia a tocar ao longe,

"Sonho meu, sonho meu",

e o melhor cozinheiro que conheço 

a preparar uma salada de tomate, espargos, pepino e pão tostado com queijo azul.

Aqui posso só olhar e apreciar.

Descalça como em casa,

a Felicidade escorre também em lágrimas.




sexta-feira, 26 de abril de 2024

 ... e na minha cabeça hoje tive novamente 17 anos.

Rita ouvi chamar, nem quis acreditar,

mas já não me chamou Mari Rita como me chamava faz décadas atrás.

Um fantasma do passado,

e estava igual, 

sem sinal de deterioração ou desgaste,

como se só eu tivesse envelhecido.

Ele que na altura não me tocou por eu ser tão novinha,

agora era eu a maior de idade, e ele na mesma,

foi o que mais me impressionou.

Mais até do que me ter descoberto na ficha técnica da empresa e me ter procurado,

e eu sentada sozinha num banco da garagem,

num angulo morto para a rua,

naqueles momentos em que estamos longe.

Dizem que quando pensamos ou falamos nas pessoas elas andam rondando por perto,

~~~mesmo sem nos vermos faz anos. 

E tinha falado nele com uma amiga comum fazia dois dias.


Olhei para aquele mau feitio,

recordei, 

as horas gastas, 

as muitas tardes que ia de visita ao atelier, e ficava a olhar para aquelas mãos a desenhar sobre o estirador.

Já nem as achei bonitas.

As muitas caminhadas em que gastámos a calçada de Évora, 

a descobrir o que se olha pela primeira vez.

Agora somos apenas dois estranhos, 

e um passado de oportunidade perdida.

A cigana com quem me cruzei perto do mercado na outra semana foi largando umas,

que agora vinham tempos de sorte, no amor, e no resto.

>Irei ver no resto,

hoje passei no mesmo sitio, tentei nem ver a cigana, mas vi que estava no chão uma lotaria dobrada.

Até agora, 

tudo como dantes no quartel de Abrantes,

é noite de sexta-feira,

estou em casa sozinha,

e as mensagens que apitam são só as promoções do Pingo Doce.


Bem na verdade nem tudo está igual,

nos 17 ele dizia que eu era como as andorinhas, que aparecem a cada Primavera.

nos 50 fui eu quem recebeu a sua visita.


Scott Matthew -- The wonder of falling in love

quinta-feira, 25 de abril de 2024

quarta-feira, 24 de abril de 2024

todos os caminhos vão dar a mim - retrato intimo




Percebo porque renuncio a tudo o que me prende, apesar da solidão que sempre atravessou

esta Alma de Pessoa.

...

para mim, o bem mais caro sempre foi a Liberdade.

E eu sou muitas, Ar e asas em movimento, de visita breve.

Nunca gostei de espaços fechados,  

coisas que apertem,

calças para dormir,

filhos à perna,

amigos dependentes,

mesmo assim tive alguns,

e um marido.

Uma vez solta,

sem horas,

tudo me pesa,

evito atilhos, 

os amores, só se forem arrebatados, 

caso contrário,

tudo são prisões.

Ainda ninguém valeu a minha Liberdade.